Questão 19 do ENEM 2022Linguagens

ENEM 2022LinguagensPPL

O boato insiste em ser um gênero da comunicação. Um rumor pode nascer da má-fé, do mal-entendido ou de uma trapalhada qualquer. O primeiro impulso é acreditar, porque: 1 — confiamos em quem o transmite; 2 — é fisicamente impossível verificar a veracidade de tudo; 3 — os meios de comunicação estão sistematicamente relapsos com a verificação de seus conteúdos e, se eles fazem isso, o que nos impede?

O boato não informa, mas ensina: mostra como uma sociedade se prepara para tomar posição. A nossa tem se aplicado na tarefa de desmantelar equipes de jornalistas que dão nome de “informação” a todo tipo de “copia e cola” difundido pela internet como se fosse um fato verídico. A comunicação atual depende, cada vez mais, do modo como vamos lidar com os rumores.

PEREIRA JR., L. C. Língua Portuguesa, n. 93, jul. 2013 (adaptado).

Em relação aos boatos que circulam ininterruptamente na internet, esse texto reconhece a importância da posição tomada pelo internauta leitor ao
A
confiar nos contatos pessoais que transmitiram a informação.
B
acompanhar e reproduzir o comportamento dos meios de comunicação.
C
seguir as contas dos jornalistas nas diversas redes sociais existentes.
D
excluir de seus contatos usuários que não confirmam a veracidade das notícias.
pesquisar em diferentes mídias a veracidade das notícias que circulam na rede.
Resposta correta
Gabarito oficial: alternativa E

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar a visão do autor sobre a circulação de boatos e qual deve ser a postura do leitor diante desse cenário.

O texto apresenta o boato como um fenômeno comum na comunicação atual e lista os motivos pelos quais as pessoas tendem a acreditar neles: a confiança em quem transmite a mensagem, a dificuldade prática de verificar tudo e a negligência dos próprios meios de comunicação, que muitas vezes reproduzem conteúdos sem a devida checagem (o famoso "copia e cola").

No trecho final, o autor conclui que "A comunicação atual depende, cada vez mais, do modo como vamos lidar com os rumores". Isso indica que o leitor não pode ser passivo. Ele precisa adotar uma postura crítica para não ser enganado por informações falsas, mesmo que venham de pessoas conhecidas ou de jornalistas que não fazem a devida verificação.

Analisando as alternativas:

  • A) confiar nos contatos pessoais que transmitiram a informação. Incorreta. O texto aponta que confiar em quem transmite é justamente o "primeiro impulso" que nos faz cair em boatos.
  • B) acompanhar e reproduzir o comportamento dos meios de comunicação. Incorreta. O autor critica os meios de comunicação por serem "relapsos com a verificação de seus conteúdos".
  • C) seguir as contas dos jornalistas nas diversas redes sociais existentes. Incorreta. O texto menciona que há equipes de jornalistas dando o nome de informação a "todo tipo de 'copia e cola'", logo, segui-los cegamente não resolve o problema.
  • D) excluir de seus contatos usuários que não confirmam a veracidade das notícias. Incorreta. O texto não sugere em nenhum momento o cancelamento ou a exclusão de contatos.
  • E) pesquisar em diferentes mídias a veracidade das notícias que circulam na rede. Correta. Como a comunicação atual depende de como lidamos com os rumores e não podemos confiar cegamente nem nos contatos pessoais nem na mídia tradicional (que muitas vezes apenas reproduz boatos), a única saída para o internauta é assumir uma postura ativa, checando e pesquisando a veracidade das informações antes de tomá-las como verdadeiras.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2022 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.