Questão 18 do ENEM 2025Linguagens

ENEM 2025LinguagensReaplicação

O cara que corta cabelo, inclusive, pode nos jogar os búzios, caso desejemos; pode, também, colocar a cerâmica da nossa casa, caso precisemos; e pode, ainda, pegar um cavaquinho e um microfone para nos mostrar o samba de verdade, caso o desconheçamos. É que ele sabe fazer várias coisas da vida, e está sempre a aprender coisas novas, não por boniteza, mas por precisão, como diria Guimarães Rosa. Ele está em construção, assim como eu, que tento concluir o ensino médio aos trinta e dois anos, também estou em construção. Na verdade, todos por aqui estão em construção. Não só todos, como tudo. Por todo lado o que vemos, o que mais se vê são casas de alvenaria erguidas até a metade. Mesmo paredes completas esperam reboco. Mesmo paredes rebocadas esperam pintura. Nada nunca está pronto. Ninguém nunca está pronto. <\/p><\/div>

FALERO, J. Mas em que mundo tu vive?: crônicas. São Paulo: Todavia, 2021.<\/p><\/div><\/div><\/section>

A estratégia utilizada pelo autor para desenvolver a temática desse texto é a
A
comparação das interações sociais com o cotidiano das pessoas.
B
exaltação da habilidade de adaptação do trabalhador da periferia.
construção de um paralelo entre os sujeitos e o espaço periférico urbano.
Resposta correta
D
valorização do pensamento de um famoso escritor da literatura brasileira.
E
apresentação de problemas de urbanização em grandes cidades brasileiras.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar a estrutura argumentativa do texto e identificar qual recurso o autor utiliza para desenvolver o seu tema central.

O texto começa descrevendo um trabalhador versátil, que corta cabelo, joga búzios, coloca cerâmica e toca samba. O autor explica que essa pessoa faz tudo isso por necessidade e que, por estar sempre aprendendo, encontra-se "em construção". Em seguida, o narrador se inclui nessa condição, mencionando que tenta concluir o ensino médio aos trinta e dois anos e, portanto, também está "em construção".

O ponto-chave da estratégia do autor ocorre quando ele expande essa ideia para o ambiente ao seu redor: "Na verdade, todos por aqui estão em construção. Não só todos, como tudo". A partir desse momento, ele passa a descrever o espaço físico — as casas de alvenaria erguidas pela metade, as paredes sem reboco e as casas sem pintura.

Ao afirmar que "Nada nunca está pronto. Ninguém nunca está pronto", o autor consolida a sua estratégia: ele cria uma metáfora, estabelecendo um paralelo direto entre os sujeitos (as pessoas daquele lugar, que estão sempre se adaptando, aprendendo e lutando para melhorar de vida) e o espaço periférico urbano (as casas e construções inacabadas que compõem a paisagem ao redor).

Analisando as alternativas:

  • A está incorreta, pois o foco não é comparar interações sociais com o cotidiano, mas sim as pessoas com o espaço físico.
  • B está incorreta porque, embora o texto cite as habilidades do trabalhador, a estratégia central que amarra o texto é a metáfora da "construção" aplicada tanto à pessoa quanto ao ambiente.
  • C é a correta, pois descreve exatamente esse paralelo entre os indivíduos (sujeitos) e o ambiente inacabado (espaço periférico urbano).
  • D está incorreta, pois a citação a Guimarães Rosa é apenas um recurso secundário, não a estratégia principal de desenvolvimento do texto.
  • E está incorreta, pois a intenção do texto não é fazer uma denúncia objetiva sobre problemas de urbanização, mas usar a imagem das casas inacabadas de forma poética e metafórica para falar sobre a condição humana daquelas pessoas.

Ainda com dúvida nesta questão?

Crie sua conta gratuita e peça ao Darwin, o tutor de IA do Alvo, para explicar do seu jeito — e treine questões como esta na sua trilha adaptativa.

Fonte: prova oficial do ENEM 2025 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.