Questão 46 do ENEM 2009Ciências Humanas

ENEM 2009Ciências Humanas1ª aplicação

O Egito é visitado anualmente por milhões de turistas de todos os quadrantes do planeta, desejosos de ver com os próprios olhos a grandiosidade do poder esculpida em pedra há milênios: as pirâmides de Gizeh, as tumbas do Vale dos Reis e os numerosos templos construídos ao longo do Nilo.

O que hoje se transformou em atração turística era, no passado, interpretado de forma muito diferente, pois
significava, entre outros aspectos, o poder que os faraós tinham para escravizar grandes contingentes populacionais que trabalhavam nesses monumentos.
Resposta correta
B
representava para as populações do alto Egito a possibilidade de migrar para o sul e encontrar trabalho nos canteiros faraônicos.
C
significava a solução para os problemas econômicos, uma vez que os faraós sacrificavam aos deuses suas riquezas, construindo templos.
D
representava a possibilidade de o faraó ordenar a sociedade, obrigando os desocupados a trabalharem em obras públicas, que engrandeceram o próprio Egito.
E
significava um peso para a população egípcia, que condenava o luxo faraônico e a religião baseada em crenças e superstições.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

A questão nos convida a refletir sobre o significado histórico das grandes construções do Egito Antigo, como as pirâmides de Gizé e os templos ao longo do rio Nilo. Hoje, essas obras são vistas como maravilhas arquitetônicas e atrações turísticas, mas, na época em que foram erguidas, sua função e seu simbolismo eram muito diferentes.

Para compreender esse significado original, precisamos lembrar como a sociedade egípcia estava estruturada. O Egito Antigo era uma teocracia, ou seja, o faraó não era apenas um líder político e militar, mas era considerado um deus vivo na Terra. Seu poder era absoluto e inquestionável.

As pirâmides, tumbas e templos não eram projetos comunitários ou obras públicas voltadas para o bem-estar da população. Elas eram, acima de tudo, monumentos de ostentação que materializavam a grandiosidade e a divindade do faraó. Para erguer estruturas tão colossais, o Estado egípcio precisava mobilizar uma quantidade imensa de recursos e, principalmente, de mão de obra.

Essa mobilização ocorria por meio de um sistema de trabalho compulsório, muitas vezes associado ao chamado "Modo de Produção Asiático" (ou servidão coletiva). Durante os períodos de cheia do rio Nilo, quando a agricultura ficava paralisada, milhares de camponeses eram convocados e forçados a trabalhar nas construções faraônicas como forma de pagamento de tributos ao Estado. Além deles, prisioneiros de guerra também eram escravizados e submetidos a trabalhos pesados.

Portanto, para um egípcio da Antiguidade, olhar para uma pirâmide em construção não era admirar um ponto turístico, mas sim testemunhar o poder esmagador do faraó, capaz de comandar, controlar e escravizar grandes contingentes populacionais para a realização de seus projetos pessoais e religiosos.

Análise das Alternativas

  • A alternativa A está correta, pois captura exatamente essa essência: as obras representavam o poder absoluto do faraó e sua capacidade de subjugar e forçar milhares de pessoas ao trabalho monumental.
  • A alternativa B é incorreta porque o trabalho era compulsório, não uma oportunidade de emprego que atraía migrantes voluntários em busca de melhorias de vida.
  • A alternativa C é incorreta ao afirmar que as obras eram soluções para problemas econômicos; na verdade, elas consumiam vastos recursos do império e não tinham finalidade econômica prática.
  • A alternativa D é incorreta pois suaviza a realidade histórica ao chamar os trabalhadores de "desocupados" e tratar as construções como "obras públicas" para engrandecer o Egito, quando o foco era a glorificação do próprio faraó e a garantia de sua vida após a morte.
  • A alternativa E é incorreta porque não há evidências de que a população condenasse a religião ou o luxo faraônico; a figura do faraó como deus era a base da ordem social e cósmica aceita na época.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2009 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.