Questão 68 do ENEM 2018Ciências Humanas

ENEM 2018Ciências Humanas1ª aplicação

O encontro entre o Velho e o Novo Mundo, que a descoberta de Colombo tornou possível, é de um tipo muito particular: é uma guerra – ou a Conquista -, como se dizia então. E um mistério continua: o resultado do combate. Por que a vitória fulgurante, se os habitantes da América eram tão superiores em número aos adversários e lutaram no próprio solo? Se nos limitarmos à conquista do México – a mais espetacular, já que a civilização mexicana é a mais brilhante do mundo pré-colombiano – como explicar que Cortez, liderando centenas de homens, tenha conseguido tomar o reino de Montezuma, que dispunha de centenas de milhares de guerreiros?

TODOROV, T. A conquista da América. São Paulo: Martins Fontes, 1991 (adaptado)

No contexto da conquista, conforme análise apresentada no texto, uma estratégia para superar as disparidades levantadas foi
A
implantar as missões cristãs entre as comunidades submetidas.
B
utilizar a superioridade física dos mercenários africanos.
explorar as rivalidades existentes entre os povos nativos.
Resposta correta
D
introduzir vetores para a disseminação de doenças epidêmicas.
E
comprar terras para o enfraquecimento das teocracias autóctones.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

A questão aborda um dos episódios mais fascinantes e complexos da História da América: a conquista do Império Asteca (ou Mexica) pelos espanhóis, liderados por Hernán Cortés. O texto de Tzvetan Todorov levanta um questionamento central: como um grupo de poucas centenas de espanhóis conseguiu derrotar um império que contava com centenas de milhares de guerreiros lutando em seu próprio território?

Para entender isso, precisamos lembrar como o Império Asteca estava estruturado. Tratava-se de um império militarista e expansionista que havia subjugado diversos outros povos da região mesoamericana. Esses povos dominados eram obrigados a pagar pesados tributos e, frequentemente, a ceder pessoas para os sacrifícios religiosos astecas. Naturalmente, isso gerava um enorme descontentamento e um profundo sentimento de revolta entre essas populações.

Quando Hernán Cortés chegou ao México, ele foi extremamente astuto ao perceber essa dinâmica política. A sua principal estratégia militar e diplomática foi explorar as rivalidades existentes entre os povos nativos. Cortés firmou alianças com povos inimigos dos astecas, como os tlaxcaltecas. Com isso, o exército que marchou sobre a capital asteca, Tenochtitlán, não era composto apenas por algumas centenas de espanhóis, mas sim por dezenas de milhares de guerreiros indígenas que viram nos europeus uma oportunidade de se libertarem do domínio de Montezuma.

Vamos analisar por que as outras alternativas estão incorretas:

  • A) implantar as missões cristãs entre as comunidades submetidas: As missões religiosas foram fundamentais para a colonização e aculturação posterior, mas não foram a estratégia militar imediata para vencer a guerra de conquista.
  • B) utilizar a superioridade física dos mercenários africanos: Embora houvesse africanos escravizados nas expedições, eles não formavam um exército de mercenários capaz de superar a desvantagem numérica espanhola.
  • D) introduzir vetores para a disseminação de doenças epidêmicas: As doenças trazidas pelos europeus (como a varíola) dizimaram a população nativa e foram um fator decisivo para a vitória espanhola. No entanto, isso ocorreu de forma acidental pelo contato, e não como uma estratégia deliberada de guerra biológica com introdução de vetores naquele momento inicial.
  • E) comprar terras para o enfraquecimento das teocracias autóctones: A conquista foi feita por meio da força militar e de alianças políticas, não por transações imobiliárias.

Portanto, a habilidade de Cortés em ler o cenário político local e cooptar aliados indígenas foi o fator estratégico determinante para o sucesso da empreitada espanhola, confirmando a alternativa C.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2018 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.