Questão 35 do ENEM 2015Ciências Humanas

ENEM 2015Ciências Humanas2ª aplicação

O ícone dos conflitos que assolam a região da bacia do Xingu na atualidade é o projeto da hidrelétrica de Belo Monte. Prevista para ser implantada no Médio Xingu, tem a capacidade de gerar, segundo os estudos da Eletronorte, 11 mil megawatts de energia, o que faria dela a segunda maior hidrelétrica do Brasil. Entre adesivos que refletem o teor polêmico do projeto — “Eu quero Belo Monte” e “Fora Belo Monte” —, os moradores de Altamira, cidade polo da região onde a usina deverá ser construída, se dividem.

MARTINHO, N. O coração do Brasil. Horizonte Geográfico, n. 129, jun. 2010 (adaptado).

Na polêmica apresentada, de acordo com a perspectiva dos trabalhadores da região, um argumento favorável e outro contrário à implementação do projeto estão, respectivamente, na
A
urbanização da periferia e valorização dos imóveis rurais.
B
recuperação da autoestima e criação de empregos qualificados.
C
expansão de lavouras e crescimento do assalariamento agrícola.
captação de investimentos e expropriação dos posseiros pobres.
Resposta correta
E
adoção do preservacionismo e estabelecimento de reservas permanentes.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

A questão aborda os impactos socioeconômicos da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, localizada no rio Xingu, no estado do Pará. Para resolvê-la, precisamos identificar, sob a ótica dos trabalhadores e moradores da região, um ponto positivo (argumento favorável) e um ponto negativo (argumento contrário) gerados por essa megaobra.

Grandes projetos de infraestrutura, como a construção de uma hidrelétrica com capacidade de gerar 11 mil megawatts de energia, causam transformações profundas no espaço geográfico e na dinâmica social local.

Por um lado, a expectativa de construção atrai um enorme volume de capital. Essa captação de investimentos aquece a economia local, impulsiona o comércio e a prestação de serviços, além de gerar milhares de empregos diretos e indiretos (em sua maioria, na construção civil). Para muitos trabalhadores, isso representa uma oportunidade de renda e melhoria de vida, configurando um forte argumento favorável ao projeto (o lado do "Eu quero Belo Monte").

Por outro lado, a implementação da usina exige o alagamento de vastas áreas de terra e a alteração do curso do rio. Isso resulta na remoção forçada de populações tradicionais, ribeirinhos, indígenas e pequenos agricultores. Muitos desses moradores são posseiros pobres, ou seja, ocupam a terra para sua subsistência, mas não possuem o título de propriedade formal. A expropriação dos posseiros pobres gera desestruturação social, perda de meios de sobrevivência e intensifica os conflitos fundiários na região, sendo o principal argumento contrário à obra (o lado do "Fora Belo Monte").

Analisando as alternativas:

  • A alternativa A está incorreta, pois a urbanização da periferia ocorre de forma desordenada (inchando as cidades sem infraestrutura), o que não é um argumento favorável.
  • A alternativa B falha ao falar em "empregos qualificados", já que a grande massa de empregos gerados na construção civil de uma hidrelétrica é de baixa qualificação e temporária.
  • A alternativa C não se aplica, pois o foco do projeto é a geração de energia, e não a expansão de lavouras.
  • A alternativa E é o oposto do que ocorre, já que a obra causa grandes impactos ambientais, indo na contramão do preservacionismo.

Portanto, a alternativa que apresenta corretamente a dualidade do projeto — a atração de capital para a região e a perda de terras pelas populações mais vulneráveis — é a D.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2015 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.