Questão 48 do ENEM 2018Ciências Humanas

ENEM 2018Ciências Humanas2ª aplicação

O ponto de partida para o nascimento de uma cozinha brasileira foi o livro de receitas Cozinheiro Imperial, de 1840. Estimulava a nobreza e os ricos a acrescentarem ingredientes e pratos locais em suas festas. A princesa Isabel comemorou as bodas de prata com um banquete no qual foram servidos bolo de mandioca e canja à brasileira.

RIBEIRO, M. Fome imperial: Dom Pedro II não era um gourmet, mas ajudou a dar forma à gastronomia brasileira. Aventuras na História, mar. 2014 (adaptado).

O uso da culinária popular brasileira, no contexto apresentado, colaborou para
A
enfraquecer as elites agrárias.
B
romper os laços coloniais.
C
reforçar a religião católica.
construir a identidade nacional.
Resposta correta
E
humanizar o regime escravocrata.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

O texto aborda o período do Império no Brasil, mais especificamente a partir de 18401840, momento em que o país já era politicamente independente de Portugal. Após a Independência (18221822), o Brasil enfrentou o grande desafio de criar uma cultura própria que o diferenciasse da antiga metrópole e unificasse a nação. Esse processo é historicamente conhecido como a construção da identidade nacional.

Durante o Segundo Reinado, sob o governo de D. Pedro II, houve um esforço consciente do Estado e das elites para forjar essa identidade. Isso ocorreu em diversas áreas: na literatura (com o Romantismo e a exaltação do indígena), na pesquisa acadêmica (com a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro - IHGB) e, como o texto da questão demonstra, até mesmo na gastronomia.

Ao incentivar a nobreza a consumir pratos com ingredientes locais, como a mandioca (de origem indígena e amplamente consumida pela população em geral), o livro Cozinheiro Imperial ajudava a criar a ideia de uma "cozinha brasileira". A adoção desses hábitos pela família imperial, como no banquete de bodas de prata da princesa Isabel, servia de exemplo para as elites. Valorizar elementos nativos e misturá-los aos costumes europeus era uma forma de dizer: "nós temos a nossa própria cultura".

Vamos analisar por que as outras alternativas não se encaixam:

  • A) enfraquecer as elites agrárias: Incorreto. As elites agrárias eram a base de sustentação política e econômica do Império, e eram justamente elas que participavam desses banquetes.
  • B) romper os laços coloniais: Incorreto. Os laços políticos e o pacto colonial já haviam sido rompidos com a Independência em 18221822. O foco do texto é a formação cultural interna que ocorreu após esse rompimento político.
  • C) reforçar a religião católica: Incorreto. O texto trata de hábitos alimentares e festejos da corte, sem nenhuma relação com a imposição ou reforço de dogmas religiosos.
  • E) humanizar o regime escravocrata: Incorreto. A apropriação de ingredientes populares pelas elites em seus banquetes não alterava em nada a violência, a exploração e a desumanização inerentes à escravidão.

Portanto, o uso da culinária popular nesse contexto foi uma ferramenta cultural fundamental para construir a identidade nacional.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2018 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.