Questão 37 do ENEM 2013Ciências Humanas

ENEM 2013Ciências Humanas2ª aplicação

O trabalho de recomposição que nos espera não admite medidas contemporizadoras. Implica o reajustamento social e econômico de todos os rumos até aqui seguidos. Comecemos por desmontar a máquina do favoritismo
parasitário, com toda sua descendência espúria. Discurso de posse de Getúlio Vargas como chefe do governo provisório, pronunciado em 03 de novembro de 1930.

FILHO, I. A. Brasil, 500 anos em documento. Rio de Janeiro: Mauad, 1999 (adaptado).

Em seu discurso de posse, como forma de legitimar o regime político implantado em 1930, Getúlio Vargas estabelece uma crítica ao
A
funcionamento regular dos partidos políticos.
controle político exercido pelas oligarquias estaduais.
Resposta correta
C
centralismo presente na Constituição então em vigor.
D
mecanismo jurídico que impedia as fraudes eleitorais.
E
imobilismo popular nos processos político-eleitorais.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos nos situar no contexto histórico da Revolução de 1930 e entender o que Getúlio Vargas representava ao assumir o poder. O trecho do discurso de posse traz uma forte crítica à estrutura política anterior, referindo-se a ela como uma "máquina do favoritismo parasitário". Nosso objetivo é identificar a quem ou a que essa crítica se dirigia.

O Contexto da Primeira República

Antes de 1930, o Brasil vivia o período conhecido como Primeira República ou República Velha (1889-1930). Essa fase foi profundamente marcada pelo domínio das oligarquias estaduais, ou seja, elites agrárias regionais que controlavam a política do país. Esse controle se dava por meio de um sistema muito bem articulado que envolvia:

  • Coronelismo e Voto de Cabresto: Os "coronéis" (grandes fazendeiros locais) usavam seu poder econômico e a força para obrigar os eleitores de sua região a votarem nos candidatos indicados por eles.
  • Política dos Governadores: Um acordo não escrito em que o governo federal apoiava as oligarquias dominantes nos estados e, em troca, essas oligarquias garantiam a eleição de deputados e senadores favoráveis ao presidente.
  • Fraudes Eleitorais: As eleições eram frequentemente fraudadas para garantir a vitória dos candidatos da situação.

A Crítica de Vargas

Quando Getúlio Vargas lidera a Revolução de 1930 e depõe o presidente Washington Luís, ele precisa justificar e legitimar essa ruptura institucional. Ao falar em "desmontar a máquina do favoritismo parasitário", Vargas está atacando diretamente esse sistema viciado, clientelista e excludente mantido pelas oligarquias estaduais. Ele se apresenta como o líder que vai modernizar o país e acabar com os privilégios dessas elites regionais.

Análise das Alternativas

Agora, vamos avaliar as alternativas com base nesse raciocínio:

  • A) funcionamento regular dos partidos políticos: Incorreta. A crítica não era ao funcionamento regular dos partidos, mas sim ao fato de que o sistema era irregular, fraudulento e dominado por poucos.
  • B) controle político exercido pelas oligarquias estaduais: Correta. A "máquina do favoritismo parasitário" é uma referência direta ao sistema de poder das elites regionais que dominavam a República Velha.
  • C) centralismo presente na Constituição então em vigor: Incorreta. A Constituição de 1891, vigente até então, era fortemente descentralizadora, dando muita autonomia aos estados (federalismo). Vargas, na verdade, é quem passaria a centralizar o poder a partir de 1930.
  • D) mecanismo jurídico que impedia as fraudes eleitorais: Incorreta. Na República Velha, as fraudes eleitorais eram a regra, e não havia mecanismos jurídicos eficazes para impedi-las.
  • E) imobilismo popular nos processos político-eleitorais: Incorreta. Embora a participação popular fosse restrita e manipulada, o alvo da crítica de Vargas no discurso não é o povo, mas sim a elite política que se beneficiava do sistema.

Portanto, a fala de Vargas busca legitimar seu novo governo ao se colocar como o responsável por destruir o controle político das antigas oligarquias.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2013 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.