Questão 50 do ENEM 2015Ciências da Natureza

ENEM 2015Ciências da Natureza2ª aplicação

O urânio é um elemento cujos átomos contêm 92 prótons, 92 elétrons e entre 135 e 148 nêutrons. O isótopo de urânio 235U é utilizado como combustível em usinas nucleares, onde, ao ser bombardeado por nêutrons, sofre fissão de seu núcleo e libera uma grande quantidade de energia (2,35×1010 KJ/mol). O isótopo 235U ocorre naturalmente em minérios de urânio, com concentração de apenas 0,7%. Para ser utilizado na geração de energia nuclear, o minério é submetido a um processo de enriquecimento, visando aumentar a concentração do isótopo 235U para, aproximadamente, 3% nas pastilhas. Em décadas anteriores, houve um movimento mundial para aumentar a geração de energia nuclear buscando substituir, parcialmente, a geração de energia elétrica a partir da queima do carvão, o que diminui a emissão atmosférica de CO2 (gás com massa molar igual a 44 g/mol). A queima do carvão é representada pela equação química:

\(\text{C (s) + O}_2 \text{(g) } \rightarrow \text{ CO}_2 \text{(g)} \quad \Delta H = -400 \, \text{kJ/mol}\)
Qual é a massa de CO2, em toneladas, que deixa de ser liberada na atmosfera, para cada 100 g de pastilhas de urânio enriquecido utilizadas em substituição ao carvão como fonte de energia?
A
2,10
B
7,70
C
9,00
33,0
Resposta correta
E
300
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos comparar a quantidade de energia liberada pela fissão do urânio com a energia liberada pela queima do carvão e, a partir disso, descobrir a massa de CO2\text{CO}_2 equivalente que deixaria de ser emitida.

Primeiro, vamos determinar a massa de urânio-235 (235U{}^{235}\text{U}) presente nas pastilhas. O enunciado nos diz que temos 100 g100 \text{ g} de pastilhas de urânio enriquecido e que a concentração do isótopo 235U{}^{235}\text{U} é de 3%3\%. Assim, a massa de 235U{}^{235}\text{U} é: mU=3% de 100 g=3 gm_{\text{U}} = 3\% \text{ de } 100 \text{ g} = 3 \text{ g}

Sabendo que a massa molar do 235U{}^{235}\text{U} é 235 g/mol235 \text{ g/mol} (dado pelo próprio número de massa do isótopo), podemos calcular a quantidade de energia que esses 3 g3 \text{ g} liberam. O enunciado informa que a fissão de 1 mol1 \text{ mol} de 235U{}^{235}\text{U} libera 2,35×1010 kJ2,35 \times 10^{10} \text{ kJ}. Montamos então uma regra de três simples: 235 g de 235U2,35×1010 kJ235 \text{ g de } {}^{235}\text{U} \longrightarrow 2,35 \times 10^{10} \text{ kJ} 3 g de 235UE3 \text{ g de } {}^{235}\text{U} \longrightarrow E

Resolvendo para EE: E=32,35×1010235E = \frac{3 \cdot 2,35 \times 10^{10}}{235} E=3108 kJE = 3 \cdot 10^8 \text{ kJ}

Essa é a energia total gerada pelas pastilhas de urânio. Agora, precisamos descobrir qual seria a massa de CO2\text{CO}_2 gerada se essa mesma quantidade de energia fosse produzida pela queima do carvão.

A equação de combustão do carvão fornecida é: C (s)+O2(g)CO2(g)ΔH=400 kJ/mol\text{C (s)} + \text{O}_2 \text{(g)} \rightarrow \text{CO}_2 \text{(g)} \quad \Delta H = -400 \text{ kJ/mol}

Isso significa que a liberação de 400 kJ400 \text{ kJ} de energia (o sinal negativo indica apenas que a energia é liberada, ou seja, um processo exotérmico) está associada à formação de 1 mol1 \text{ mol} de CO2\text{CO}_2. Como a massa molar do CO2\text{CO}_2 é 44 g/mol44 \text{ g/mol}, podemos dizer que a liberação de 400 kJ400 \text{ kJ} produz 44 g44 \text{ g} de CO2\text{CO}_2.

Montamos outra regra de três para encontrar a massa de CO2\text{CO}_2 (mCO2m_{\text{CO}_2}) correspondente à energia EE que calculamos: 400 kJ44 g de CO2400 \text{ kJ} \longrightarrow 44 \text{ g de CO}_2 3×108 kJmCO23 \times 10^8 \text{ kJ} \longrightarrow m_{\text{CO}_2}

Resolvendo para mCO2m_{\text{CO}_2}: mCO2=443×108400m_{\text{CO}_2} = \frac{44 \cdot 3 \times 10^8}{400} mCO2=132×108400m_{\text{CO}_2} = \frac{132 \times 10^8}{400} mCO2=0,33×108 g=33×106 gm_{\text{CO}_2} = 0,33 \times 10^8 \text{ g} = 33 \times 10^6 \text{ g}

Por fim, o comando da questão pede a resposta em toneladas. Sabemos que 1 tonelada1 \text{ tonelada} equivale a 106 g10^6 \text{ g} (ou 1.000 kg1.000 \text{ kg}). Portanto: mCO2=33 toneladasm_{\text{CO}_2} = 33 \text{ toneladas}

Dessa forma, ao utilizar 100 g100 \text{ g} de pastilhas de urânio enriquecido em substituição ao carvão, deixam de ser liberadas 33,0 toneladas33,0 \text{ toneladas} de CO2\text{CO}_2 na atmosfera.

Ainda com dúvida nesta questão?

Crie sua conta gratuita e peça ao Darwin, o tutor de IA do Alvo, para explicar do seu jeito — e treine questões como esta na sua trilha adaptativa.

Fonte: prova oficial do ENEM 2015 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.