Questão 35 do ENEM 2011Ciências Humanas

ENEM 2011Ciências Humanas2ª aplicação

Os dados do recenseamento geral do Brasil de 1991 parecem confirmar a tendência ao movimento que, nos anos de 1970, já se vinha registrando, com o aumento do número de cidades médias. Os municípios com população entre 200 mil e 500 mil habitantes passam de 33 para 85, em 1991.

Santos, M. A Urbanização Brasileira. São Paulo: EdUSP, 2005 (adaptado).

O aumento do número de cidades médias, retratado pelo autor Milton Santos, ainda persiste nos dias atuais no território brasileiro. Uma justificativa para este fato seria:
A
A chegada de multinacionais na região amazônica com a criação da Zona Franca de Manaus, no início dos anos de 1970.
B
O processo de criação de novas cidades planejadas no interior do país, baseadas em uma economia extrativista mineral.
C
A expansão do agronegócio nas regiões litorâneas do país, como no caso da cana-de-açúcar e do cacau no litoral nordestino.
O processo de desconcentração das atividades econômicas como a indústria e a agricultura intensiva para áreas do interior do país.
Resposta correta
E
A desconcentração das atividades industriais e agropecuárias, que se concentravam na porção central do país e hoje atingem áreas litorâneas.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

O texto de Milton Santos destaca uma mudança importante na rede urbana brasileira: o crescimento acelerado das cidades médias (aquelas com população entre 200200 mil e 500500 mil habitantes) a partir da década de 19701970. Para entender o motivo desse fenômeno, que fez o número desses municípios saltar de 3333 para 8585 até o ano de 19911991, precisamos analisar a dinâmica econômica do Brasil nesse período.

A Desconcentração Econômica

Até meados do século XX, a economia e a população brasileiras estavam fortemente concentradas nas grandes metrópoles, principalmente no Sudeste (como São Paulo e Rio de Janeiro) e em áreas litorâneas. No entanto, a partir dos anos 19701970, essas grandes cidades começaram a sofrer com as chamadas "deseconomias de aglomeração" — problemas como trânsito caótico, alto custo de vida, terrenos caros, violência e impostos elevados.

Buscando fugir desses problemas e atraídas por incentivos fiscais (a famosa "guerra fiscal"), mão de obra mais barata e novas infraestruturas de transporte, muitas indústrias começaram a transferir suas fábricas para o interior do país. Esse processo é conhecido como desconcentração industrial.

A Expansão da Fronteira Agrícola

Simultaneamente à interiorização da indústria, o Brasil vivenciou a forte expansão da sua fronteira agrícola. O avanço do agronegócio moderno e da agricultura intensiva (com destaque para o cultivo da soja e do milho) direcionou-se fortemente para regiões do interior, como o Centro-Oeste e, mais recentemente, a região do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Esse espalhamento da indústria e da agricultura moderna para o interior gerou riqueza e atraiu um grande contingente populacional. As cidades do interior precisaram se desenvolver para oferecer suporte a essas novas atividades econômicas, criando redes de comércio, serviços bancários, universidades, hospitais e logística. Assim, cidades que antes eram pequenas cresceram e se consolidaram como importantes polos regionais, transformando-se nas atuais cidades médias.

Análise das Alternativas

Com base nesse raciocínio, podemos avaliar as opções fornecidas:

  • A alternativa A está incorreta porque a criação da Zona Franca de Manaus foi um fenômeno muito localizado e não explica o crescimento generalizado de cidades médias por todo o país.
  • A alternativa B erra ao focar na criação de cidades planejadas para o extrativismo mineral, o que não representa a principal causa do crescimento urbano no interior brasileiro.
  • A alternativa C afirma que a expansão do agronegócio ocorreu nas regiões litorâneas, quando, na verdade, o grande salto produtivo que impulsionou novas cidades ocorreu em direção ao interior.
  • A alternativa D é a correta, pois descreve perfeitamente o processo geoeconômico central: a desconcentração das atividades econômicas, como a indústria e a agricultura intensiva, em direção às áreas do interior do país.
  • A alternativa E inverte a lógica geográfica do processo, afirmando que as atividades saíram da porção central para atingir o litoral, quando historicamente ocorreu o exato oposto.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2011 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.