Questão 26 do ENEM 2010Ciências Humanas

ENEM 2010Ciências Humanas2ª aplicação

Para os amigos pão, para os inimigos pau; aos amigos se faz justiça, aos inimigos aplica-se a lei. <\/p><\/div>

LEAL, V. N. Coronelismo, enxada e voto<\/strong>. São Paulo: Alfa Omega.<\/p><\/div><\/div><\/section>

Esse discurso, típico do contexto histórico da República Velha e usado por chefes políticos, expressa uma realidade caracterizada
A
pela força política dos burocratas do nascente Estado republicano, que utilizavam de suas prerrogativas para controlar e dominar o poder nos municípios.
B
pelo controle político dos proprietários no interior do país, que buscavam, por meio dos seus currais eleitorais, enfraquecer a nascente burguesia brasileira.
pelo mandonismo das oligarquias no interior do Brasil, que utilizavam diferentes mecanismos assistencialistas e de favorecimento para garantir o controle dos votos.
Resposta correta
D
pelo domínio político de grupos ligados às velhas instituições monárquicas e que não encontraram espaço de ascensão política na nascente república.
E
pela aliança política firmada entre as oligarquias do Norte e Nordeste do Brasil, que garantiria uma alternância no poder federal de presidentes originários dessas regiões.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

A questão aborda um dos conceitos mais importantes da Primeira República (ou República Velha) no Brasil: o coronelismo. O trecho citado, extraído da obra clássica Coronelismo, enxada e voto, de Victor Nunes Leal, resume perfeitamente a lógica de poder local da época: "Para os amigos pão, para os inimigos pau; aos amigos se faz justiça, aos inimigos aplica-se a lei".

Vamos analisar o que essa frase significa na prática. Durante a República Velha, o poder político no interior do Brasil era exercido pelos chamados "coronéis", que geralmente eram grandes proprietários de terras. Eles exerciam o mandonismo local, controlando a população de sua região por meio de uma rede de trocas de favores e violência.

Para garantir que seus candidatos fossem eleitos, o coronel utilizava o voto de cabresto. Como o voto não era secreto, ele conseguia controlar as eleições em seu "curral eleitoral". Para manter a lealdade de seus eleitores (os "amigos"), o coronel oferecia favores, proteção, empregos, remédios ou alimentos (o "pão" e a "justiça"). Essa prática é conhecida como clientelismo ou assistencialismo. Por outro lado, aqueles que se opunham ao coronel (os "inimigos") sofriam com a violência de seus capangas (o "pau") ou com a perseguição implacável por meio das autoridades locais, que eram controladas pelo próprio coronel (a aplicação rigorosa da "lei").

Analisando as alternativas:

  • A alternativa A está incorreta porque o poder não estava nas mãos de burocratas do Estado, mas sim dos grandes proprietários de terra locais.
  • A alternativa B erra ao afirmar que o objetivo dos coronéis era enfraquecer a burguesia; o foco era a manutenção do próprio poder oligárquico.
  • A alternativa C descreve exatamente essa dinâmica: o mandonismo das oligarquias no interior, que usavam o assistencialismo (favores) e a coerção para garantir o controle dos votos.
  • A alternativa D é falsa porque as oligarquias que dominavam a República Velha não eram grupos excluídos da ascensão política, mas sim os próprios donos do poder.
  • A alternativa E confunde as alianças. A principal aliança federal de alternância de poder era a "Política do Café com Leite", envolvendo as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais, e não do Norte e Nordeste.

Portanto, o discurso expressa a realidade do mandonismo oligárquico e suas práticas de controle eleitoral.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2010 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.