Para os amigos pão, para os inimigos pau; aos amigos se faz justiça, aos inimigos aplica-se a lei. <\/p><\/div>
LEAL, V. N. Coronelismo, enxada e voto<\/strong>. São Paulo: Alfa Omega.<\/p><\/div><\/div><\/section>
A questão aborda um dos conceitos mais importantes da Primeira República (ou República Velha) no Brasil: o coronelismo. O trecho citado, extraído da obra clássica Coronelismo, enxada e voto, de Victor Nunes Leal, resume perfeitamente a lógica de poder local da época: "Para os amigos pão, para os inimigos pau; aos amigos se faz justiça, aos inimigos aplica-se a lei".
Vamos analisar o que essa frase significa na prática. Durante a República Velha, o poder político no interior do Brasil era exercido pelos chamados "coronéis", que geralmente eram grandes proprietários de terras. Eles exerciam o mandonismo local, controlando a população de sua região por meio de uma rede de trocas de favores e violência.
Para garantir que seus candidatos fossem eleitos, o coronel utilizava o voto de cabresto. Como o voto não era secreto, ele conseguia controlar as eleições em seu "curral eleitoral". Para manter a lealdade de seus eleitores (os "amigos"), o coronel oferecia favores, proteção, empregos, remédios ou alimentos (o "pão" e a "justiça"). Essa prática é conhecida como clientelismo ou assistencialismo. Por outro lado, aqueles que se opunham ao coronel (os "inimigos") sofriam com a violência de seus capangas (o "pau") ou com a perseguição implacável por meio das autoridades locais, que eram controladas pelo próprio coronel (a aplicação rigorosa da "lei").
Analisando as alternativas:
Portanto, o discurso expressa a realidade do mandonismo oligárquico e suas práticas de controle eleitoral.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2010 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.