Questão 81 do ENEM 2017Ciências Humanas

ENEM 2017Ciências Humanas2ª aplicação

Penso, pois, que o Carnaval põe o Brasil de ponta-cabeça. Num país onde a liberdade é privilégio de uns poucos e é sempre lida por seu lado legal e cívico, a festa abre nossa vida a uma liberdade sensual, nisso que o mundo burguês chama de libertinagem. Dando livre passagem ao corpo, o Carnaval destitui posicionamentos sociais fixos e rígidos, permitindo a “fantasia”, que inventa novas identidades e dá uma enorme elasticidade a todos os papéis sociais reguladores.

DAMATTA, R. O que o Carnaval diz do Brasil. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com.
Acesso em: 29 fev. 2012.

Ressaltando os seus aspectos simbólicos, a abordagem apresentada associa o Carnaval ao(à)
inversão de regras e rotinas estabelecidas.
Resposta correta
B
reprodução das hierarquias de poder existentes.
C
submissão das classes populares ao poder das elites.
D
proibição da expressão coletiva dos anseios de cada grupo.
E
consagração dos aspectos autoritários da sociedade brasileira.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

Para resolvermos essa questão, precisamos interpretar o texto do antropólogo Roberto DaMatta sob a ótica da Sociologia, focando no papel simbólico do Carnaval na sociedade brasileira.

A interpretação sociológica do Carnaval

O texto nos traz uma visão muito clássica das ciências sociais sobre as festas populares. DaMatta afirma que o Carnaval "põe o Brasil de ponta-cabeça". Mas o que isso significa na prática?

No nosso dia a dia, a sociedade possui regras, hierarquias e papéis sociais muito bem definidos e, muitas vezes, rígidos. O Carnaval atua como um momento de ruptura temporária dessa ordem. É o momento em que o pobre se veste de rei, o homem se veste de mulher, e as regras rígidas do cotidiano ganham uma "enorme elasticidade". Ou seja, há uma subversão da ordem vigente.

Analisando as alternativas

Com base nessa compreensão, vamos olhar para as opções:

  • Alternativa AA: Correta. A expressão "ponta-cabeça" e a ideia de destituir "posicionamentos sociais fixos" apontam exatamente para a inversão das regras e das rotinas que estabelecem a ordem no resto do ano.
  • Alternativas BB, CC e EE: Incorretas. Elas afirmam o oposto do texto. O Carnaval, segundo o autor, não reproduz a hierarquia, não submete as classes populares e não consagra o autoritarismo; pelo contrário, ele suspende temporariamente essas dinâmicas opressivas.
  • Alternativa DD: Incorreta. A festa é descrita como um momento de "livre passagem", ou seja, de extrema liberdade de expressão, e não de proibição.

Portanto, a abordagem associa o Carnaval à quebra temporária da normalidade social, confirmando o gabarito.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2017 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.