Questão 34 do ENEM 2025Linguagens

ENEM 2025LinguagensBelém

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA
VARA CRIMINAL DA COMARCA DE SENHOR DO BONFIM
“DECIDAM”

No embalo da emoção
Sanfoneiros pedem aquela sanfona velha
Que um dia já foi bela
Hoje ela é castigada, afastada da canção
Condenada a viver gelada
No banheiro da prisão

E o sanfoneiro engaiolado
Sem a voz, os dedos e o pulmão
Distante da sanfona velha
Seu maior bem de estimação
Espera que o Juiz diga qual o querelado
Que levará a sanfona do povo junto ao seu coração
[...]

Nilvado, o direito é seu, como fiel depositário
Visto o seu opositor não ter provado o contrário
Até que se finde a contenda
Delegado me atenda
Como da outra vez foi buscar
A bela sanfona do povo, vá agora entregar

E para finalizar
Hei por bem declarar
Que fui competente para buscar
Sou também para entregar
Cumpra-se, sem titubear!

Senhor do Bonfim, 23 de março de 2018.
JUIZ DE DIREITO

Disponível em: www.migalhas.com.br. Acesso em: 10 jan. 2025 (fragmento).

Esse texto subverte um gênero ao apresentar, na forma de um poema, um(a)
A
relato pessoal.
sentença judicial.
Resposta correta
C
pedido de doação.
D
mandado de prisão.
E
notificação de entrega.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar as características do texto apresentado e identificar qual é o seu propósito comunicativo original, que foi modificado (subvertido) ao ser escrito em forma de poema.

Logo no início do texto, encontramos um cabeçalho oficial: PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA VARA CRIMINAL DA COMARCA DE SENHOR DO BONFIM. No final, há a data e a assinatura: JUIZ DE DIREITO. Essas marcas indicam que estamos diante de um documento oficial do âmbito jurídico.

Ao lermos o conteúdo, percebemos que o texto resolve um conflito sobre a posse de uma sanfona. O autor (o juiz) determina quem tem o direito de ficar com o instrumento: "Nilvado, o direito é seu, como fiel depositário / Visto o seu opositor não ter provado o contrário". Em seguida, ele dá uma ordem a uma autoridade policial para que a decisão seja executada: "Delegado me atenda [...] vá agora entregar [...] Cumpra-se, sem titubear!".

Essas características — a resolução de um conflito por uma autoridade competente e a determinação de uma ordem a ser cumprida — são próprias de uma sentença judicial (ou decisão judicial). O que torna o texto peculiar e subversivo é o fato de essa sentença, que tradicionalmente seria escrita em prosa, com linguagem técnica, formal e objetiva (o famoso "juridiquês"), ter sido redigida em forma de poema, utilizando versos, rimas e uma linguagem mais acessível e emotiva.

Dessa forma, o gênero textual subvertido pelo formato de poema é a sentença judicial.

Analisando as alternativas:

  • A) relato pessoal: Incorreto. O texto não é um relato sobre a vida do juiz, mas um documento com força de lei.
  • B) sentença judicial: Correto. Trata-se de uma decisão proferida por um juiz para resolver um litígio.
  • C) pedido de doação: Incorreto. Não se está pedindo uma doação, mas determinando a devolução de um bem apreendido.
  • D) mandado de prisão: Incorreto. A ordem é para entregar um objeto (a sanfona), não para prender alguém.
  • E) notificação de entrega: Incorreto. Embora haja uma ordem de entrega, o texto em si é a decisão judicial (sentença) que fundamenta e determina essa ação.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2025 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.