Questão 86 do ENEM 2016Ciências Humanas

ENEM 2016Ciências Humanas2ª aplicação

“Precauções que aconselhamos à Sua Alteza, o Sr. Conde D’Eu, quando tiver de visitar escolas. Se Sua Alteza imitasse o seu augusto sogro, Dom Pedro II, não teria nunca Ocasião de contestar fatos históricos”.

AGOSTINI, A. Revista Ilustrada, n. 309, 29 jul. 1882 (adaptado).

Segundo a charge, os últimos anos da Monarquia foram marcados por
A
debates promovidos em espaços públicos, contando com a presença da família real.
B
atividades intensas realizadas pelo Conde D’Eu, numa tentativa de salvar o regime monárquico.
C
revoltas populares em escolas, com o intuito de destituir o monarca do poder e coroar o seu genro.
críticas oriundas principalmente da imprensa, colocando em dúvida a continuidade do regime político.
Resposta correta
E
dúvidas em torno da validade das medidas tomadas pelo imperador, fazendo com que o Conde D’Eu assumisse o governo.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

A charge, do caricaturista Angelo Agostini, foi publicada na Revista Ilustrada em 1882, no contexto da chamada Crise do Segundo Reinado. Para entender o que ela revela sobre os últimos anos da Monarquia, precisamos observar tanto a imagem quanto o texto e situá-los historicamente.

A fonte e seu autor

Angelo Agostini foi um dos maiores caricaturistas do Brasil no século XIX e um defensor dos ideais republicanos e abolicionistas. A Revista Ilustrada usava o humor e a caricatura como armas políticas para criticar o regime imperial.

A cena representada

A charge mostra duas figuras da família imperial: em pé, à frente, uma figura de uniforme militar com um charuto — o Conde D'Eu (Gastão de Orléans), genro do imperador e marido da Princesa Isabel, uma figura bastante impopular no Brasil; sentado, um homem idoso e barbado, de aparência sonolenta — Dom Pedro II. Ao fundo, veem-se pessoas em torno de uma mesa, sugerindo o ambiente escolar mencionado na legenda.

O texto ironiza o Conde D'Eu ao aconselhar que, se ele imitasse o sogro (Dom Pedro II), "não teria nunca ocasião de contestar fatos históricos". Ou seja, sugere de forma satírica que o Conde ficasse calado ao visitar escolas, para não expor sua ignorância — um deboche à figura do sucessor da Coroa.

O papel da imprensa no fim da Monarquia

Nos últimos anos do Império, a imprensa gozava de relativa liberdade de expressão e a utilizou para desgastar a imagem da família real. As charges, visuais e de fácil compreensão, ridicularizavam o imperador — retratado como velho, cansado e omisso — e questionavam a capacidade de seus herdeiros (a Princesa Isabel e o impopular Conde D'Eu) de governar. Esse desgaste alimentava o movimento republicano e colocava em dúvida a continuidade do regime.

Analisando as alternativas

  • A está incorreta: a charge não mostra um debate público democrático, mas uma sátira à família imperial.
  • B está incorreta: o texto não elogia o Conde D'Eu por tentar salvar o regime; ao contrário, sugere que se cale para não demonstrar ignorância.
  • C é um absurdo histórico: não houve revoltas em escolas para coroar o Conde D'Eu, figura rejeitada por boa parte da elite e da população.
  • E é falsa: o Conde D'Eu nunca assumiu o governo no lugar de Dom Pedro II.

Portanto, a alternativa D é a correta: os últimos anos da Monarquia foram marcados por críticas oriundas principalmente da imprensa (aqui, a imprensa ilustrada republicana), que expunham a suposta decadência do regime e colocavam em dúvida sua continuidade.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2016 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.