Questão 85 do ENEM 2023Ciências Humanas

ENEM 2023Ciências Humanas1ª aplicação

Produtores rurais europeus são antigos opositores de um grande acordo com o Mercosul. Na visão deles, existe um nítido risco de concorrência desleal, pois, na Europa, é preciso seguir regras mais rígidas de produção, o que encarece o processo. Assim, eles não conseguiriam competir com os preços, por exemplo, da carne brasileira e teriam seus negócios ameaçados. Por outro lado, o setor industrial europeu se mobiliza a favor do acordo, uma vez que as reduções de tarifas no comércio internacional dariam maior acesso ao mercado sul-americano. Um exemplo é o setor automotivo europeu, que prevê maior participação e concorrência nos países do Mercosul caso o acordo siga em frente.

ROUBICEK, M. Como o risco ambiental afeta o acordo entre Mercosul e União Europeia.
Disponível em: www.nexojornal.com.br. Acesso em: 25 out. 2021.

No contexto do acordo citado, os dois grupos econômicos europeus defendem, respectivamente, a
A
restrição dos fluxos migratórios e a maior atuação de sindicatos.
B
ampliação das leis trabalhistas e a plena importação de manufaturados.
C
proteção das florestas nacionais e a ampla transferência de tecnologias.
manutenção das barreiras fitossanitárias e a livre circulação de mercadorias.
Resposta correta
E
remoção dos entraves alfandegários e a melhor remuneração de empregados.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar os interesses de dois grupos econômicos europeus distintos em relação ao acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia, conforme apresentado no texto.

Primeiro, o texto menciona os produtores rurais europeus, que são opositores do acordo. Eles argumentam que a produção na Europa segue regras mais rígidas (ambientais, sanitárias, trabalhistas), o que torna seus produtos mais caros. Com o acordo, eles temem não conseguir competir com os preços mais baixos dos produtos agropecuários do Mercosul, como a carne brasileira. Para proteger seu mercado interno dessa concorrência, esses produtores defendem medidas protecionistas. No comércio internacional moderno, como as tarifas de importação vêm sendo reduzidas, o protecionismo agrícola frequentemente se dá por meio de barreiras não tarifárias, como as barreiras fitossanitárias (exigências rigorosas de saúde animal e vegetal) e ambientais. Portanto, eles defendem a manutenção dessas barreiras para dificultar a entrada dos produtos sul-americanos.

Por outro lado, o texto aborda o setor industrial europeu (como o automotivo), que é favorável ao acordo. A indústria europeia é altamente competitiva e produz bens de alto valor agregado. Para eles, o acordo é vantajoso porque a redução ou eliminação de tarifas de importação (impostos) no Mercosul permitiria que seus produtos chegassem mais baratos aos países sul-americanos, aumentando suas vendas. Logo, esse setor defende a livre circulação de mercadorias, que é a essência de um acordo de livre-comércio.

Analisando as alternativas, a única que contempla corretamente as posições desses dois grupos, respectivamente, é a que aponta a defesa da manutenção das barreiras fitossanitárias (pelos produtores rurais, para se protegerem) e a livre circulação de mercadorias (pela indústria, para exportar mais).

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Fonte: prova oficial do ENEM 2023 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.