Questão 81 do ENEM 2022Ciências Humanas

ENEM 2022Ciências HumanasPPL

Quando as elites de cada região do país procuraram estabelecer sua autonomia em relação ao governo central, elas se confrontaram com o espectro de uma anarquia social. Em uma sociedade escravocrata, a possibilidade de tal desordem ameaçava tudo. Líderes locais apoderaram-se da legitimidade que a Monarquia oferecia como uma tábua de salvação, e o Estado monárquico central que eles construíram os trouxe à terra firme. Os vínculos que se seguiram entre as várias regiões levaram a um sentimento de solidariedade. O Estado, portanto, fomentou a emergência de uma nação única: o Brasil.

GRAHAM, R. Construindo uma nação no Brasil do século XIX: visões novas e antigas sobre classe, cultura e Estado. Diálogos (UEM), n. 1, 2001 (adaptado).

A aliança entre as elites regionais e o Estado monárquico resultou na
A
predominância do Partido Conservador.
B
consolidação dos ideais republicanos.
promoção da identidade brasileira.
Resposta correta
D
elaboração das leis abolicionistas.
E
eclosão de revoltas regenciais.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos interpretar o texto de apoio e conectá-lo aos processos históricos de formação do Estado Nacional brasileiro no século XIX.

O texto do historiador Richard Graham descreve um momento crucial da nossa história: o período em que as elites regionais, temendo a "anarquia social" (que, em uma sociedade escravocrata, significava o pavor de revoltas populares e rebeliões de escravizados, como as que ocorreram no Período Regencial), decidiram se aliar ao governo central. A Monarquia funcionou como uma "tábua de salvação" para garantir a ordem, a manutenção da escravidão e os privilégios dessas elites.

Ao se unirem em torno do Estado monárquico centralizado, essas elites regionais acabaram criando laços políticos e administrativos entre si. O trecho final do texto é a chave para a resposta: "Os vínculos que se seguiram entre as várias regiões levaram a um sentimento de solidariedade. O Estado, portanto, fomentou a emergência de uma nação única: o Brasil."

Isso significa que a aliança política para manter a ordem escravocrata e evitar a fragmentação territorial teve como resultado a construção de uma unidade nacional, ou seja, a promoção da identidade brasileira.

Vamos analisar por que as outras alternativas estão incorretas:

  • A) predominância do Partido Conservador: Embora os conservadores fossem defensores ferrenhos da centralização, o Segundo Reinado foi marcado pela alternância de poder entre o Partido Conservador e o Partido Liberal (o chamado "parlamentarismo às avessas"). Além disso, o texto foca na formação da nação, não na hegemonia de um partido.
  • B) consolidação dos ideais republicanos: Pelo contrário, a aliança fortaleceu a Monarquia para evitar a fragmentação do país, enfraquecendo temporariamente os ideais republicanos.
  • D) elaboração das leis abolicionistas: O texto deixa claro que o medo da desordem em uma "sociedade escravocrata" foi o que motivou a aliança. A intenção das elites ao apoiar o Império era justamente proteger a instituição da escravidão, e não aboli-la.
  • E) eclosão de revoltas regenciais: As revoltas regenciais (como Cabanagem, Farroupilha, Sabinada, etc.) representavam exatamente a "anarquia social" e a ameaça de fragmentação que as elites queriam combater ao se aliarem ao Estado monárquico central.

Logo, a alternativa correta é a que aponta para a consolidação de uma nação única e sua identidade.

Ainda com dúvida nesta questão?

Crie sua conta gratuita e peça ao Darwin, o tutor de IA do Alvo, para explicar do seu jeito — e treine questões como esta na sua trilha adaptativa.

Fonte: prova oficial do ENEM 2022 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.