Questão 100 do ENEM 2024Ciências da Natureza

ENEM 2024Ciências da NaturezaPPL

Quando utilizadas na iluminação pública noturna, as lâmpadas de LED brancas produzem uma luz branco-azulada, cujo brilho difuso dificulta a observação das estrelas, que também chegam aos nossos olhos como luz azulada. Por isso, esse tipo de iluminação pública pode ser considerada uma nova forma de poluição: a ‐poluição azul‐, que afeta a dinâmica de várias espécies.

A cidade de Flagstaff, nos Estados Unidos, foi uma das pioneiras na resolução dessa questão. Embora sua iluminação pública seja feita com lâmpadas de LED brancas, a cidade tomou medidas para impedir o brilho azulado. Conforme estudos de uma equipe de cientistas australianos, com a aplicação de um material, é possível alterar a transmissão das frequências indesejadas, mantendo a intensidade total da lâmpada. As figuras do estudo indicam:

  • o espectro de emissão correspondente a uma lâmpada LED branca (A);
  • o espectro de emissão correspondente a uma lâmpada LED branca coberta com o material do estudo (B).
Dois gráficos comparativos de intensidade da radiação por comprimento de onda em nanômetros. O gráfico A mostra um pico alto na região do azul (460 nm) e um pico menor na região do verde/amarelo. O gráfico B mostra a auséncia do pico no azul e um aumento significativo na intensidade da radiação na região do amarelo e laranja (620 nm).

DIMOVSKI, A. M.; ROBERT, K. A. Artificial Light Pollution: Shifting Spectral Wavelengths to Mitigate Physiological and Health Consequences in a Nocturnal Marsupial Mammal. J. Exp. Zool., n. 329, 2018 (adaptado).

Nesse estudo, o material utilizado na cobertura
A
reflete a luz azul.
B
difrata a luz azul.
absorve a luz azul e emite luz amarelo-alaranjada.
Resposta correta
D
absorve a luz azul e emite luz ultravioleta.
E
polariza a luz azul transmitida.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolver, vamos comparar os dois espectros de emissão fornecidos, tendo sempre em mente uma informação central do texto: a aplicação do material altera as frequências indesejadas, mas mantém a intensidade total da lâmpada.

No espectro (A), da lâmpada de LED branca original, há emissão em duas regiões: um pico intenso na faixa do azul (comprimentos de onda menores) e uma região mais larga abrangendo do verde ao laranja/vermelho (comprimentos de onda maiores).

Já no espectro (B), da lâmpada coberta com o material, a emissão na região do azul é suprimida (cai praticamente a zero), enquanto a região do amarelo-alaranjado é reforçada, tornando-se o pico dominante.

Agora vem o raciocínio físico. Se o material apenas refletisse ou barrasse a luz azul dissipando-a como calor, a intensidade luminosa total diminuiria, pois o azul era uma parcela importante da emissão original. Mas o enunciado diz que a intensidade total é mantida. Isso só é possível se a energia que estava no azul tiver sido convertida para outra faixa do espectro visível.

É exatamente o que se observa: a supressão do azul acompanha o aumento do amarelo-alaranjado. O material absorve os fótons de luz azul (maior energia, menor comprimento de onda) e, por um processo de luminescência (como a fluorescência), reemite essa energia como fótons de luz amarelo-alaranjada (menor energia, maior comprimento de onda). Lembrando que E=hcλE = \dfrac{h \cdot c}{\lambda}, quanto maior o comprimento de onda, menor a energia por fóton.

Portanto, o material da cobertura absorve a luz azul e emite luz amarelo-alaranjada, o que corresponde à alternativa C.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2024 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.