Questão 29 do ENEM 2021Linguagens

ENEM 2021Linguagens1ª aplicação

Reaprender a ler notícias

Não dá mais para ler um jornal, revista ou assistir a um telejornal da mesma forma que fazíamos até o surgimento da rede mundial de computadores. O Observatório da Imprensa antecipou isso lá nos idos de 1996 quando cunhou o slogan “Você nunca mais vai ler o jornal do mesmo jeito”. De fato, hoje já não basta mais ler o que está escrito ou falado para estar bem informado. É preciso conhecer as entrelinhas e saber que não há objetividade e nem isenção absolutas, porque cada ser humano vê o mundo de uma forma diferente. Ter um pé atrás passou a ser regra básica número um de quem passa os olhos por um primeiro página, capa de revista ou chamadas de um noticiário na TV.
Há uma diferença importante entre desconfiar de tudo e procurar ver o maior número possível de lados de um mesmo fato, dado ou evento. Apenas desconfiar não resolve porque se trata de um atitude passiva. É claro, tudo começa com a dúvida, mas a partir dela é necessário ser proativo, ou seja, investigar, estudar, procurar os elementos ocultos que sempre existem numa notícia. No começo é um esforço solitário que pode se tornar coletivo à medida que mais pessoas descobrem sua vulnerabilidade informativa.

Disponível em: www.observatoriodaimprensa.com.br. Acesso em: 30 set. 2015 (adaptado).

No texto, os argumentos apresentados permitem inferir que o objetivo do autor é convencer os leitores a
A
buscarem fontes de informação comprometidas com a verdade.
B
privilegiarem notícias veiculadas em jornais de grande circulação.
adotarem uma postura crítica em relação às informações recebidas.
Resposta correta
D
questionarem a prática jornalística anterior ao surgimento da internet.
E
valorizarem reportagem redigidas com imparcialidade diante dos fatos.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar o texto e identificar qual é a mensagem principal que o autor tenta transmitir ao leitor. O título "Reaprender a ler notícias" já nos dá uma excelente pista sobre o tema central: a necessidade de mudar a forma como consumimos informações.

Ao longo do texto, o autor constrói seu argumento destacando que, hoje em dia, "não basta mais ler o que está escrito ou falado para estar bem informado". Ele enfatiza que é necessário "conhecer as entrelinhas" e reconhecer que "não há objetividade e nem isenção absolutas". Além disso, ele sugere que o leitor deve "ter um pé atrás" e ser proativo, ou seja, "investigar, estudar, procurar os elementos ocultos que sempre existem numa notícia".

Todas essas ações — ler nas entrelinhas, duvidar, investigar e buscar diferentes perspectivas — são características fundamentais de uma postura crítica. O autor não está pedindo para o leitor simplesmente rejeitar as notícias, mas sim para analisá-las de forma ativa e questionadora.

Vamos analisar por que as outras alternativas estão incorretas:

  • A: O texto afirma que "não há objetividade e nem isenção absolutas", o que significa que não existe uma fonte dona da "verdade absoluta". O foco é o leitor investigar por conta própria.
  • B: Em nenhum momento o texto sugere que jornais de grande circulação são melhores ou devem ser privilegiados.
  • D: O autor menciona que a forma de ler mudou com a internet, mas o objetivo do texto não é criticar o jornalismo do passado, e sim orientar o leitor sobre como agir no presente.
  • E: Como o autor defende que não existe isenção absoluta, seria contraditório pedir que os leitores valorizassem reportagens imparciais, já que, segundo ele, a imparcialidade total é uma ilusão.

Portanto, o objetivo claro do autor é convencer o leitor a deixar de ser passivo e passar a adotar uma postura crítica diante de qualquer informação que recebe.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2021 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.