Questão 17 do ENEM 2015Ciências Humanas

ENEM 2015Ciências Humanas2ª aplicação

Sabe-se o que era a mata do Nordeste, antes da monocultura da cana: um arvoredo tanto e tamanho e tão basto e de tantas prumagens que não podia homem dar conta. O canavial desvirginou todo esse mato grosso do modo mais cru: pela queimada. A fogo é que foram se abrindo no mato virgem os claros por onde se estendeu o canavial civilizador, mas ao mesmo tempo devastador.

 

FREYRE, G. Nordeste. São Paulo: Global, 2004 (adaptado).

Analisando os desdobramentos da atividade canavieira sobre o meio físico, o autor salienta um paradoxo, caracterizado pelo(a)
A
demanda de trabalho, que favorecia a escravidão.
modelo civilizatório, que acarretou danos ambientais.
Resposta correta
C
rudimento das técnicas produtivas, que eram ineficientes.
D
natureza da atividade econômica, que concentrou riqueza.
E
predomínio da monocultura, que era voltada para exportação.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos interpretar o texto de Gilberto Freyre e identificar a contradição (o paradoxo) apontada por ele em relação à exploração canavieira no Nordeste colonial.

O texto descreve a exuberância da mata nordestina (Mata Atlântica) antes da chegada da monocultura da cana-de-açúcar. Em seguida, o autor relata como a introdução dessa lavoura destruiu a vegetação nativa, utilizando a técnica da queimada para abrir espaço para o plantio.

O ponto central da questão está na última frase do texto: "A fogo é que foram se abrindo no mato virgem os claros por onde se estendeu o canavial civilizador, mas ao mesmo tempo devastador."

Um paradoxo é uma ideia que contém uma contradição aparente. Nesse caso, a contradição reside no fato de que a atividade canavieira era vista como um vetor de "civilização" (trazendo o modelo econômico, social e cultural europeu para a colônia), mas, para se estabelecer, precisou ser extremamente "devastadora" para o meio ambiente, destruindo a rica biodiversidade local por meio do fogo.

Analisando as alternativas:

  • A alternativa A fala sobre a escravidão, que é um fato histórico inegável do período, mas não é o paradoxo ambiental destacado no texto.
  • A alternativa B descreve perfeitamente a oposição apresentada por Freyre: o modelo civilizatório (a implantação da economia açucareira) que acarretou danos ambientais (a devastação da mata virgem).
  • As alternativas C, D e E trazem outros aspectos econômicos e técnicos da época, mas não abordam a relação contraditória entre "civilizar" e "devastar" o meio físico, que é o foco do comando da questão.

Sendo assim, o paradoxo salientado pelo autor refere-se ao custo ambiental do modelo de desenvolvimento adotado.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2015 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.