SCHWARCZ, L. M. As barbas do imperador. D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Cia. Das Letras, 1998 (adaptado).
Questão 36 do ENEM 2015 — Ciências Humanas
Resolução comentada
A questão pede que analisemos a construção da imagem pública de D. Pedro II, um recurso político central durante o Segundo Reinado. O enunciado situa as imagens no início da década de , pouco mais de dez anos após o Golpe da Maioridade, de .
Para entender o propósito dessas representações, é preciso recuperar o contexto. O Golpe da Maioridade antecipou a coroação de D. Pedro II quando ele ainda era um adolescente, com cerca de anos. A manobra buscava encerrar a forte instabilidade e as revoltas provinciais que marcaram o Período Regencial. Contudo, entregar o poder a um jovem inexperiente gerava desconfiança: como um garoto governaria um país continental e conturbado?
É para responder a essa desconfiança que atua a iconografia oficial, isto é, a propaganda imperial feita por meio de imagens. Segundo o enunciado, os elementos simbólicos destacados nessas representações foram cuidadosamente escolhidos para transmitir o oposto da juventude e da inexperiência: eles forjam a figura de um homem maduro e sério e remetem à legalidade, associando o monarca à Constituição e às leis do Império.
O recado que o Estado queria transmitir à população e às elites era direto: o Brasil passava a ter um líder adulto e comprometido com a ordem institucional, capaz de governar respeitando a lei e afastando o risco de anarquia. Não se tratava de exibir um tirano, mas de apresentar um estadista que garantiria estabilidade dentro dos limites constitucionais.
Com base nesse raciocínio, analisemos as alternativas:
A alternativa A está incorreta porque a intenção era exatamente afastar qualquer ideia de irresponsabilidade ligada à pouca idade.
A alternativa C fala em "líder guerreiro". Ainda que a figura seja associada a um perfil militar, o conjunto simbólico enfatiza a postura de estadista e o respeito às leis, e não um perfil belicoso de comandante de batalhas.
A alternativa D sugere submissão ao Papa. No Brasil Império vigorava o regime do Padroado, no qual o imperador exercia grande controle sobre a Igreja Católica no país, não sendo um simples cumpridor das ordens papais.
A alternativa E propõe um "monarca absolutista". O Brasil era uma monarquia constitucional, e a ênfase simbólica na legalidade serve justamente para afastar a ideia de um poder exercido acima da lei.
Portanto, a iconografia funcionou como instrumento político para consolidar D. Pedro II como um imperador adulto, estável e garantidor da ordem constitucional — ou seja, um imperador adulto que governaria segundo as leis. A resposta correta é a alternativa B.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2015 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.