Questão 63 do ENEM 2016Ciências Humanas

ENEM 2016Ciências Humanas1ª aplicação

Segundo a Conferência de Quioto, os países centrais industrializados, responsáveis históricos pela poluição, deveriam alcançar a meta de redução de 5,2% do total de emissões segundo níveis de 1990. O nó da questão é o enorme custo desse processo, demandando mudanças radicais nas indústrias para que se adaptem rapidamente aos limites de emissão estabelecidos e adotem tecnologias energéticas limpas. A comercialização internacional de créditos de sequestro ou de redução de gases causadores do efeito estufa foi a solução encontrada para reduzir o custo global do processo. Países ou empresas que conseguirem reduzir as emissões abaixo de suas metas poderão vender este crédito para outro país ou empresa que não consiga.

BECKER, B. AMAZÔNIA: geopolítica na virada do II milênio. Rio de Janeiro: Garamond, 2009.

As posições contrárias à estratégia de compensação presente no texto relacionam-se à ideia de que ela promove
A
retração nos atuais níveis de consumo.
B
surgimento de conflitos de caráter diplomático.
C
diminuição dos lucros na produção de energia.
desigualdade na distribuição do impacto ecológico.
Resposta correta
E
decréscimo dos Índices de desenvolvimento econômico.
Gabarito oficial: alternativa D

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos entender o mecanismo dos créditos de carbono, criado a partir do Protocolo de Quioto, e as principais críticas feitas a ele por ambientalistas e estudiosos da geopolítica.

O texto-base nos explica que os países industrializados precisavam reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 5,2%5,2\% em relação aos níveis de 19901990. Como adaptar as indústrias para poluir menos é um processo muito caro, criou-se uma alternativa de mercado: a comercialização de créditos de carbono. Na prática, funciona assim: se um país ou empresa consegue reduzir suas emissões além da meta estabelecida, ele ganha "créditos". Esses créditos podem ser vendidos para países ou empresas que não conseguiram bater suas metas. Ao comprar esses créditos, o poluidor "compensa" suas emissões excedentes.

A crítica ao modelo de compensação

Embora esse mecanismo ajude a baratear os custos globais de adequação ambiental, ele recebe duras críticas. A principal objeção é que o mercado de carbono transforma o direito de poluir em uma mercadoria.

Isso significa que países ricos e grandes corporações — que historicamente são os maiores responsáveis pela poluição global e possuem mais recursos financeiros — podem simplesmente optar por comprar créditos em vez de mudar de fato suas matrizes energéticas e processos industriais. Enquanto isso, países em desenvolvimento ou mais pobres acabam assumindo o papel de "sumidouros de carbono" (preservando florestas ou limitando seu próprio crescimento industrial) para vender esses créditos.

Essa dinâmica promove uma desigualdade na distribuição do impacto ecológico. Quem tem dinheiro continua poluindo e gerando impactos ambientais locais e globais, enquanto a responsabilidade pela preservação e mitigação é transferida para regiões menos industrializadas.

Análise das alternativas

  • A) retração nos atuais níveis de consumo: Incorreta. O mercado de carbono foi criado justamente para evitar mudanças radicais e imediatas na indústria, permitindo que os níveis de produção e consumo se mantenham.
  • B) surgimento de conflitos de caráter diplomático: Incorreta. Embora as negociações climáticas envolvam diplomacia, a crítica à estratégia de compensação em si não é o surgimento de conflitos, mas a injustiça ambiental gerada.
  • C) diminuição dos lucros na produção de energia: Incorreta. A comercialização de créditos foi a solução encontrada exatamente para reduzir o custo global e proteger os lucros das indústrias.
  • D) desigualdade na distribuição do impacto ecológico: Correta. Como vimos, a compensação permite que os países ricos continuem emitindo gases poluentes ao comprar créditos de países mais pobres, perpetuando a desigualdade ambiental.
  • E) decréscimo dos Índices de desenvolvimento econômico: Incorreta. A venda de créditos de carbono pode até gerar novas receitas para países em desenvolvimento, não causando, por si só, um decréscimo econômico.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2016 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.