Questão 46 do ENEM 2016Ciências Humanas

ENEM 2016Ciências Humanas1ª aplicação

Sentimos que toda satisfação de nossos desejos advinda do mundo assemelha-se à esmola que mantém hoje o mendigo vivo, porém prolonga amanhã a sua fome. A resignação, ao contrário, assemelha-se à fortuna herdada: livra o herdeiro para sempre de todas as preocupações.

SCHOPENHAUER, A. Aforismo para a sabedoria da vida. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

O trecho destaca uma ideia remanescente de uma tradição filosófica ocidental, segundo a qual a felicidade se mostra indissociavelmente ligada à
A
consagração de relacionamentos afetivos.
administração da independência interior.
Resposta correta
C
fugacidade do conhecimento empírico.
D
liberdade de expressão religiosa.
E
busca de prazeres efêmeros.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

O texto da questão traz uma reflexão profunda do filósofo Arthur Schopenhauer sobre a natureza dos nossos desejos e a busca pela felicidade. Para resolvermos essa questão, precisamos interpretar a metáfora que ele utiliza e conectá-la à sua visão filosófica.

Schopenhauer compara a satisfação dos desejos advinda do mundo a uma "esmola que mantém hoje o mendigo vivo, porém prolonga amanhã a sua fome". O que ele quer dizer com isso? Na filosofia de Schopenhauer, o ser humano é movido por uma "Vontade" cega e incessante. Quando desejamos algo e conseguimos, sentimos um prazer momentâneo. No entanto, logo em seguida, surge um novo desejo ou caímos no tédio. Ou seja, buscar a felicidade na satisfação de desejos externos é um ciclo sem fim de sofrimento, assim como a esmola não resolve o problema da pobreza, apenas adia a fome.

Em contrapartida, ele afirma que a "resignação" assemelha-se a uma "fortuna herdada", pois "livra o herdeiro para sempre de todas as preocupações". A resignação, nesse contexto, significa a renúncia aos desejos mundanos. É a capacidade de não se deixar escravizar pelas paixões e pelas necessidades externas. Ao se resignar, o indivíduo encontra a paz, pois deixa de depender do mundo exterior para se sentir completo.

Essa ideia remete a tradições filosóficas ocidentais mais antigas, como o Estoicismo, que também defendia que a verdadeira felicidade só pode ser alcançada quando o indivíduo domina suas próprias paixões e não depende de fatores externos que estão fora de seu controle.

Analisando as alternativas com base nesse raciocínio:

  • A alternativa A está incorreta, pois relacionamentos afetivos são fatores externos e, portanto, fontes de novos desejos e possíveis sofrimentos.
  • A alternativa B é a correta. A "administração da independência interior" é exatamente o que a resignação proporciona: a capacidade de ser autossuficiente emocionalmente, libertando-se da dependência das coisas do mundo.
  • A alternativa C não tem relação com o texto, que trata de ética e felicidade, não de teoria do conhecimento.
  • A alternativa D também foge do tema, pois Schopenhauer não está discutindo religião.
  • A alternativa E propõe exatamente o oposto do que o filósofo defende. A busca por prazeres efêmeros é a "esmola" criticada no texto.

Portanto, a felicidade, segundo essa tradição, está indissociavelmente ligada à capacidade de cultivar e administrar a própria independência interior.

Ainda com dúvida nesta questão?

Crie sua conta gratuita e peça ao Darwin, o tutor de IA do Alvo, para explicar do seu jeito — e treine questões como esta na sua trilha adaptativa.

Fonte: prova oficial do ENEM 2016 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.