TEXTO I
A centralização econômica, o protecionismo e a expansão ultramarina engrandeceram o Estado, embora beneficias sem a burguesia incipiente.
ANDERSON, P. In: DEYON, P. O mercantilismo. Lisboa: Gradiva, 1989 (adaptado).
A questão nos apresenta dois textos que descrevem visões econômicas opostas, características de diferentes períodos da história ocidental. Nosso objetivo é identificar quais práticas representam cada uma dessas visões.
O Texto I menciona "centralização econômica", "protecionismo" e "engrandecimento do Estado". Essas são as bases do Mercantilismo, o conjunto de práticas econômicas adotado pelos Estados Absolutistas europeus entre os séculos XVI e XVIII. Nesse sistema, o Estado intervinha fortemente na economia para acumular riquezas (metalismo) e fortalecer o poder real. Uma das principais ferramentas dessa intervenção era a criação de monopólios régios (ou monopólios da Coroa), em que o rei concedia o direito exclusivo de exploração e comércio de determinados produtos a grupos específicos, impedindo a concorrência.
O Texto II traz um trecho da obra A Riqueza das Nações, de Adam Smith, o grande teórico do Liberalismo Clássico. Smith critica as "interferências da legislação e das práticas exclusivistas" (ou seja, critica o modelo mercantilista do Texto I). Para ele, a economia deveria ser regida por uma "lei natural" — a famosa lei da oferta e da procura. Portanto, o Estado não deveria intervir na economia, deixando que o mercado se autorregulasse por meio da livre concorrência.
O comando da questão pede a oposição entre as práticas associadas aos textos, respectivamente. Ou seja, precisamos de uma característica do Mercantilismo seguida de uma característica do Liberalismo.
Dessa forma, a oposição histórica e teórica entre os dois modelos se resume ao controle estatal por meio de privilégios exclusivos versus a liberdade de mercado.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2019 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.