Questão 30 do ENEM 2013Ciências Humanas

ENEM 2013Ciências Humanas1ª aplicação

TEXTO I

A nossa luta é pela democratização da propriedade da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras. Fazemos pressão por meio da ocupação de latifúndios improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem a função social, como determina a Constituição de 1988. Também ocupamos as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas.

Disponível em: www.mst.org.br. Acesso em: 25 ago. 2011 (adaptado).

TEXTO II

O pequeno proprietário rural é igual a um pequeno proprietário de loja: quanto menor o negócio mais difícil de manter, pois tem de ser produtivo e os encargos são difíceis de arcar. Sou a favor de propriedades produtivas e sustentáveis e que gerem empregos. Apoiar uma empresa produtiva que gere emprego é muito mais barato e gera muito mais do que apoiar a reforma agrária.

LESSA, C. Disponível em: www.observadorpolitico.org.br. Acesso em: 25 ago. 2011 (adaptado).

Nos fragmentos dos textos, os posicionamentos em relação à reforma agrária se opõem. Isso acontece porque os autores associam a reforma agrária, respectivamente, à
A
redução do inchaço urbano e à crítica ao minifúndio camponês.
B
ampliação da renda nacional e à prioridade ao mercado externo.
C
contenção da mecanização agrícola e ao combate ao êxodo rural.
D
privatização de empresas estatais e ao estímulo ao crescimento econômico.
correção de distorções históricas e ao prejuízo ao agronegócio.
Resposta correta
Gabarito oficial: alternativa E

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar os dois textos apresentados e identificar os argumentos centrais de cada autor sobre a reforma agrária no Brasil.

O Texto I apresenta a visão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O autor destaca a extrema concentração fundiária no país, evidenciada pelo dado de que cerca de 1%1\% dos proprietários controla 46%46\% das terras. Além disso, menciona a ocupação de latifúndios improdutivos e terras oriundas de "grilagem" (apropriação ilegal de terras públicas). Essa perspectiva defende a reforma agrária como um mecanismo essencial para a correção de distorções históricas, buscando democratizar o acesso à terra e combater as desigualdades seculares na estrutura fundiária brasileira.

O Texto II, por outro lado, traz uma visão pragmática e econômica focada na produtividade. O autor compara o pequeno proprietário rural a um pequeno comerciante, argumentando que propriedades menores têm mais dificuldade de se manterem produtivas e de arcarem com encargos. Ele defende o apoio a "propriedades produtivas e sustentáveis e que gerem empregos", afirmando que investir nessas empresas é mais barato e traz mais retornos do que apoiar a reforma agrária. Nesse contexto, a reforma agrária é vista como uma política ineficiente que fragmentaria a terra, o que, na visão do autor, representaria um prejuízo ao agronegócio e às grandes empresas rurais produtivas.

Analisando as alternativas com base nessas interpretações:

  • A alternativa A está incorreta porque o Texto I não foca no inchaço urbano.
  • A alternativa B está incorreta, pois o Texto I não fala de ampliação da renda nacional.
  • A alternativa C está incorreta, já que a mecanização agrícola e o êxodo rural não são os temas centrais de oposição nos textos.
  • A alternativa D está incorreta, pois não há menção à privatização de empresas estatais.
  • A alternativa E é a correta. O Texto I associa a reforma agrária à necessidade de corrigir a concentração de terras e a grilagem (distorções históricas), enquanto o Texto II a vê como algo menos vantajoso e potencialmente prejudicial ao modelo de grandes propriedades produtivas (agronegócio).

Portanto, a oposição de ideias ocorre exatamente nos termos da alternativa E.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2013 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.