TEXTO I
Questão 36 do ENEM 2024 — Linguagens
Resolução comentada
O ponto de partida: a proposta da comparação
A questão coloca lado a lado duas esculturas separadas por um intervalo enorme de tempo: uma peça muito antiga, do Texto I, datada de cerca de a , e uma obra do artista Amedeo Modigliani, do Texto II, feita por volta de -. O próprio título da fonte já dá a pista central: a reportagem observa que esculturas de milhares de anos atrás se parecem, de modo surpreendente, com a arte moderna.
Ou seja, o eixo da comparação não é uma diferença, e sim uma semelhança que atravessa o tempo. É a partir dessa semelhança apontada pela fonte que devemos interpretar o que a leitura conjunta das duas obras indica.
Por que uma mesma "solução visual" reaparece?
A história da arte não caminha em linha reta rumo ao realismo. A busca pela simplificação e pela síntese da figura humana é uma necessidade expressiva que apareceu na Antiguidade e ressurgiu com força nas vanguardas europeias do início do século XX.
Artistas modernos, como Modigliani, frequentemente buscaram inspiração na arte arcaica (a arte cicládica do mundo grego antigo, a arte africana, entre outras) justamente para se afastar das regras rígidas do realismo acadêmico. Por isso, quando colocamos as duas peças lado a lado, o que se evidencia é que uma mesma ideia de representação e de beleza, um mesmo padrão estético, reaparece em contextos culturais e históricos muito distantes.
Analisando as alternativas
Vamos entender por que a resposta é a D e desarmar as demais:
- A) valorização da arte antiga por artistas contemporâneos. (Incorreta). É a principal armadilha. Ela falha em dois pontos: primeiro, Modigliani é um artista moderno (início do século XX), não contemporâneo (arte do pós-Segunda Guerra em diante); segundo, a questão pede o que a comparação indica, e essa alternativa foca só na atitude do artista do Texto II, ignorando o fenômeno que une as duas obras.
- B) resistência da arte escultórica aos avanços tecnológicos. (Incorreta). A comparação não trata de tecnologia. O que a fonte destaca é a semelhança estética entre as peças, não uma oposição a avanços técnicos.
- C) simplificação da forma em razão do tipo de material utilizado. (Incorreta). Materiais como mármore e calcário permitem obras extremamente detalhadas e realistas (basta lembrar da escultura clássica grega ou do Renascimento). A síntese formal é uma escolha estética, não uma imposição do material.
- D) persistência de padrões estéticos em diferentes épocas e culturas. (Correta). A semelhança formal entre obras separadas por mais de anos e originadas em culturas distintas revela justamente que certas soluções estéticas persistem e reaparecem ao longo do tempo.
- E) ausência de detalhes como traço distintivo da arte tradicional popular. (Incorreta). Nenhuma das duas obras se enquadra como "arte popular" ou folclórica: a primeira é arte antiga de caráter ritualístico, e a segunda é arte erudita de vanguarda.
Portanto, a leitura comparativa comprova que certas soluções visuais são atemporais, confirmando a persistência de padrões estéticos.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2024 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.