TEXTO I
O príncipe D. João VI podia ter decidido ficar em Portugal. Nesse caso, o Brasil com certeza não existiria. A Colônia se fragmentaria, como se fragmentou a parte espanhola da América. Teríamos, em vez do Brasil de hoje, cinco ou seis países distintos. (José Murilo de Carvalho)
Questão 24 do ENEM 2014 — Ciências Humanas
Resolução comentada
Para resolver essa questão, precisamos analisar com cuidado os dois textos apresentados e identificar o tema central do debate entre os historiadores, bem como os argumentos que sustentam suas visões.
Os dois textos discutem um mesmo legado histórico deixado pela vinda da família real portuguesa ao Brasil em . No Texto I, José Murilo de Carvalho afirma que, se D. João VI não tivesse vindo, "A Colônia se fragmentaria [...] Teríamos, em vez do Brasil de hoje, cinco ou seis países distintos". No Texto II, Evaldo Cabral de Mello debate a ideia de que D. João VI foi o "responsável pela unidade do país". Fica claro, portanto, que o legado em discussão é a integridade territorial do Brasil, ou seja, o fato de o país ter mantido seu vasto território unido após a independência, em vez de se dividir em várias repúblicas menores (como ocorreu na América Espanhola).
Agora, precisamos entender o argumento que sustenta o ponto de vista do Texto I em contraste com o Texto II. O Texto I defende que a presença física do príncipe regente (futuro D. João VI) foi o fator decisivo para manter o Brasil unido. Mas por que a presença dele teve esse efeito?
Quando a Corte portuguesa se instalou no Rio de Janeiro, a cidade deixou de ser apenas a capital de uma colônia e passou a ser o centro político e administrativo de todo o Império Português. Essa centralização da administração régia na Corte criou um polo de poder forte o suficiente para manter as diversas províncias brasileiras ligadas a um único centro de comando. Sem essa centralização no Rio de Janeiro, as províncias, que muitas vezes tinham mais contato com Lisboa do que entre si, provavelmente teriam seguido caminhos independentes.
O Texto II discorda apenas do protagonismo exclusivo de D. João VI nesse processo, argumentando que a ideia de um império luso-brasileiro unido já vinha sendo construída pela Coroa desde o século .
Analisando as alternativas, a única que associa corretamente o legado discutido (a não fragmentação do país) e o argumento que embasa a visão do Texto I (o papel da presença do rei) é a Alternativa A: Integridade territorial — Centralização da administração régia na Corte.
As demais alternativas trazem conceitos que não estão em debate nos textos, como desigualdade social, homogeneidade intelectual ou uniformidade cultural.
Ainda com dúvida nesta questão?
Crie sua conta gratuita e peça ao Darwin, o tutor de IA do Alvo, para explicar do seu jeito — e treine questões como esta na sua trilha adaptativa.
Fonte: prova oficial do ENEM 2014 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.