Questão 49 do ENEM 2021Ciências Humanas

ENEM 2021Ciências Humanas1ª aplicação

TEXTO I

Portadoras de mensagem espiritual do passado, as obras monumentais de cada povo perduram no presente como o testemunho vivo de suas tradições
seculares. A humanidade, cada vez mais consciente da unidade dos valores humanos, as considera um bem comum e, perante as gerações futuras, se reconhece solidariamente responsável por preservá-las, impondo a si mesma o dever de transmiti-las a plenitude de sua autenticidade.

Carta de Veneza, 31 de maio de 1964. Disponível em: www.iphan.gov.br.
Acesso em: 7 out. 2019.

TEXTO II

Os sistemas tradicionais de proteção se mostram cada vez menos eficientes diante do processo acelerado de urbanização e transformação de nossa sociedade. A legislação de proteção peca por considerar o monumento, até certo ponto, desvinculado da realidade socioeconômica. O tombamento, ao decretar a imutabilidade do monumento, provoca a redução de seu valor venal e o abandono, o que é uma causa, ainda que lenta, de destruição inevitável.

TELLES, L. S. Manual do patrimônio histórico. Porto Alegre; Caxias do Sul:
Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brides, 1977 (adaptado).

Escritos m temporalidade histórica aproximada, os textos se distanciam a apresentarem pontos de vista diferentes sobre a(s)
A
ampliação do comércio de imagens sacras.
B
substituição de materiais de valor artístico.
políticas de conservação de bens culturais.
Resposta correta
D
defesa da privatização de sítios arqueológicos.
E
medidas de salvaguarda de peças museológicas.
Gabarito oficial: alternativa C

Resolução comentada

A questão exige a interpretação de dois textos que abordam a temática do patrimônio histórico e sua preservação, identificando o ponto de divergência entre eles.

O Texto I, extraído da Carta de Veneza (19641964), apresenta uma visão idealista e tradicional sobre a preservação do patrimônio. Ele defende que as obras monumentais são testemunhos vivos das tradições e devem ser preservadas e transmitidas às futuras gerações com total autenticidade. Ou seja, foca no dever moral e histórico de proteger os bens culturais de forma intacta.

O Texto II, por sua vez, traz uma perspectiva crítica e pragmática. O autor argumenta que os sistemas tradicionais de proteção, como o tombamento, muitas vezes falham na prática. Ao impor a imutabilidade de um monumento sem considerar a realidade socioeconômica e o processo acelerado de urbanização, a legislação acaba desvalorizando o imóvel (redução do valor venal), o que frequentemente resulta em seu abandono e consequente destruição.

Comparando os dois excertos, percebemos que ambos discutem o mesmo tema central: o que fazer com as obras e monumentos históricos. No entanto, eles divergem profundamente sobre as políticas de conservação de bens culturais. Enquanto o primeiro texto defende a preservação rigorosa e a manutenção da autenticidade da obra, o segundo critica as leis de tombamento por serem ineficientes e, paradoxalmente, causarem a ruína daquilo que tentam proteger ao ignorarem a dinâmica urbana.

Analisando as alternativas:

  • A alternativa A está incorreta, pois os textos não tratam de comércio de imagens sacras.
  • A alternativa B está incorreta, pois não há menção à substituição de materiais artísticos.
  • A alternativa C é a correta, já que o cerne da divergência é justamente a eficácia e a abordagem das políticas de conservação (preservação idealizada versus crítica ao tombamento engessado).
  • A alternativa D está incorreta, pois nenhum dos textos defende a privatização de sítios arqueológicos.
  • A alternativa E está incorreta, pois o debate não se restringe a peças de museus (museológicas), mas abrange monumentos e o patrimônio edificado inserido no espaço urbano.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2021 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.