TEXTO I
Uma filosofia da percepção que queira reaprender a ver o mundo restituirá à pintura e às artes em geral seu lugar verdadeiro.
MERLEAU-PONTY, M. Conversas: 1948. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
A questão aborda a relação entre arte, percepção e conhecimento na filosofia contemporânea, exigindo a compreensão de como a sensibilidade deixou de ser vista como inferior à razão e passou a ser compreendida como uma forma autônoma de saber.
No Texto I, o filósofo Maurice Merleau-Ponty, representante da Fenomenologia, defende uma "filosofia da percepção". Ele argumenta que a arte (como a pintura) tem o poder de nos fazer "reaprender a ver o mundo". Para ele, a visão não é apenas um sentido passivo que capta luz, mas uma forma ativa de apreender e compreender a realidade. O corpo e os sentidos são o nosso contato originário com o mundo, antes mesmo de qualquer formulação lógica.
No Texto II, Gilles Deleuze reflete sobre o cinema e afirma que os grandes cineastas são pensadores. A diferença é que, em vez de utilizarem palavras e conceitos lógicos (como fazem os filósofos tradicionais), eles "pensam com imagens". Ou seja, a imagem cinematográfica não é uma mera ilustração de uma ideia racional, mas é o próprio pensamento acontecendo de forma visual e sensível.
Ao unirmos as duas perspectivas, percebemos uma quebra na hierarquia tradicional da filosofia, que costumava colocar a Razão acima da Emoção e dos Sentidos. Ambos os autores sustentam que a experiência sensorial — especificamente o olhar e a imagem — não é inferior à razão, mas sim uma forma própria e poderosa de produzir conhecimento.
Análise das alternativas:
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Fonte: prova oficial do ENEM 2022 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.