Texto I
XLI
Ouvia:
Que não podia odiar
E nem temer
Porque tu eras eu.
E como seria
Odiar a mim mesma
E a mim mesma temer.
HILST, H. Cantares. São Paulo: Globo, 2004 (fragmento).
Para resolver essa questão, precisamos analisar cuidadosamente os dois fragmentos de poemas e identificar a ideia central que ambos compartilham.
No Texto I, de Hilda Hilst, o eu lírico reflete sobre a impossibilidade de odiar ou temer a pessoa amada. Essa impossibilidade se dá por um motivo muito específico, revelado no verso "Porque tu eras eu". Ou seja, o eu lírico e o ser amado se tornaram uma única pessoa. Sendo assim, odiar o outro seria o mesmo que odiar a si mesma ("E como seria / Odiar a mim mesma").
No Texto II, de Luís Vaz de Camões, encontramos a mesma ideia logo no primeiro verso: "Transforma-se o amador na cousa amada". O poeta explica que, de tanto pensar na pessoa amada, quem ama (o amador) acaba se fundindo com ela (a cousa amada). Por isso, ele não precisa desejar mais nada, já que carrega a pessoa amada dentro de si ("pois em mim tenho a parte desejada").
Comparando os dois textos, fica claro que a temática comum é a fusão entre o eu lírico e o ser amado (o "outro"), de modo que os dois seres se transformam em um só.
Analisando as alternativas:
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Fonte: prova oficial do ENEM 2010 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.