Questão 6 do ENEM 2021Linguagens

ENEM 2021Linguagens1ª aplicação

Um asteroide de cerca de um mil metros diâmetro, viajando a 288 mil quilômetros por hora, passou a uma distância insignificante – em termos cósmicos – da Terra, pouco mais do dobre da distância que nos separa da Lua. Segundo os cálculos matemáticos, o asteroide cruzou a órbita da Terra e somente não colidiu porque ela não estava naquele ponto de interseção. Se ele tivesse sido capturado pelo campo gravitacional do nosso planeta e colidido, o impacto equivaleria a 40 bilhões de toneladas de TNT, ou o equivalente à explosão de 40 mil bombas de hidrogênio, conforme calcularam os computadores operados pelos astrônomos do programa de Exploração do Sistema Solar da Nasa; se caísse no continente, abriria uma cratera de cinco quilômetros, no mínimo, e destruiria tudo o que houvesse num raio de milhares de outros; se desabasse no oceano, provocaria maremotos que devastariam imensas regiões costeiras. Enfim, uma visão do Apocalipse.

Disponível em: http:/bdjur.stj.jus.br. Acesso em: 23 abr. 2010.

Qual estratégia caracteriza o texto como uma notícia alarmante?
A
A descrição da velocidade do asteroide.
A recorrência de formulações hipotéticas.
Resposta correta
C
A referência à opinião dos astrônomos.
D
A utilização da locução adverbial "no mínimo".
E
A comparação com a distância da Lua à Terra.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar os recursos linguísticos utilizados pelo autor para construir o tom alarmante do texto. O enunciado nos pede para identificar qual estratégia caracteriza a notícia dessa forma.

Ao lermos o texto, notamos que o asteroide não colidiu com a Terra. No entanto, a maior parte do texto é dedicada a descrever o que teria acontecido caso a colisão fosse real. Observe os trechos:

  • "Se ele tivesse sido capturado [...] o impacto equivaleria a 4040 bilhões de toneladas de TNT..."
  • "se caísse no continente, abriria uma cratera... e destruiria tudo..."
  • "se desabasse no oceano, provocaria maremotos que devastariam imensas regiões..."

Essas construções são marcadas pelo uso de conjunções condicionais ("se") e verbos no pretérito imperfeito do subjuntivo ("tivesse", "caísse", "desabasse") combinados com verbos no futuro do pretérito do indicativo ("equivaleria", "abriria", "destruiria", "provocaria").

Essa estrutura gramatical serve para criar formulações hipotéticas. É justamente a repetição (recorrência) dessas hipóteses catastróficas — detalhando a destruição em massa, crateras gigantescas e maremotos devastadores — que constrói a "visão do Apocalipse" mencionada no final do texto, conferindo a ele o seu caráter alarmante.

Analisando as alternativas:

  • A alternativa A fala da velocidade, que é um dado impressionante, mas não é o que gera o tom de alarme apocalíptico.
  • A alternativa B aponta exatamente para a recorrência de formulações hipotéticas, que é a base de toda a descrição da catástrofe que não ocorreu.
  • A alternativa C traz a opinião dos astrônomos, que serve para dar credibilidade científica aos dados, não para criar o alarme em si.
  • A alternativa D cita "no mínimo", que é apenas um detalhe dentro de uma das hipóteses.
  • A alternativa E menciona a distância da Lua, que serve apenas como parâmetro de comparação espacial.

Portanto, a estratégia central que torna o texto alarmante é a construção de cenários hipotéticos de destruição.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2021 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.