Questão 180 do ENEM 2009Matemática

ENEM 2009Matemática1ª aplicação

Um médico está estudando um novo medicamento que combate um tipo de câncer em estágios avançados. Porém, devido ao forte efeito dos seus componentes, a cada dose administrada há uma chance de 10% de que o paciente sofra algum dos efeitos colaterais observados no estudo, tais como dores de cabeça, vômitos ou mesmo agravamento dos sintomas da doença. O médico oferece tratamentos compostos por 3, 4, 6, 8 ou 10 doses do medicamento, de acordo com o risco que o paciente pretende assumir.

Se um paciente considera aceitável um risco de até 35% de chances de que ocorra algum dos efeitos colaterais durante o tratamento, qual é o maior número admissível de doses para esse paciente?
A
3 doses.
4 doses.
Resposta correta
C
6 doses.
D
8 doses.
E
10 doses.
Gabarito oficial: alternativa B

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos calcular a probabilidade de o paciente sofrer pelo menos um efeito colateral ao longo do tratamento e garantir que esse valor não ultrapasse 35%35\%.

Em problemas de probabilidade que envolvem a condição "pelo menos um", geralmente é muito mais simples calcular a probabilidade do evento complementar, ou seja, a probabilidade de o paciente não sofrer nenhum efeito colateral, e subtrair esse valor do total (100%100\% ou 11).

Sabemos que a chance de um efeito colateral ocorrer em uma única dose é de 10%10\% (ou 0,10,1). Logo, a chance de o paciente não ter efeito colateral em uma dose é o restante: 100%10%=90%=0,9100\% - 10\% = 90\% = 0,9

Como as doses são eventos independentes, a probabilidade de o paciente passar ileso, sem nenhum efeito colateral após nn doses, é dada pela multiplicação das probabilidades de cada dose: P(nenhum efeito)=(0,9)nP(\text{nenhum efeito}) = (0,9)^n

Consequentemente, a probabilidade de ocorrer algum efeito colateral (o risco do tratamento) é o que falta para 100%100\%: P(algum efeito)=1(0,9)nP(\text{algum efeito}) = 1 - (0,9)^n

O enunciado nos diz que o paciente aceita um risco de até 35%35\% (ou 0,350,35). Portanto, precisamos encontrar o maior número de doses nn que satisfaça a inequação: 1(0,9)n0,351 - (0,9)^n \le 0,35

Isolando a potência (0,9)n(0,9)^n, temos: (0,9)n10,35(0,9)^n \ge 1 - 0,35 (0,9)n0,65(0,9)^n \ge 0,65

Agora, vamos calcular as potências sucessivas de 0,90,9 para encontrar o maior valor de nn que mantém o resultado maior ou igual a 0,650,65:

  • Para n=1n = 1: (0,9)1=0,9(0,9)^1 = 0,9
  • Para n=2n = 2: (0,9)2=0,9×0,9=0,81(0,9)^2 = 0,9 \times 0,9 = 0,81
  • Para n=3n = 3: (0,9)3=0,81×0,9=0,729(0,9)^3 = 0,81 \times 0,9 = 0,729
  • Para n=4n = 4: (0,9)4=0,729×0,9=0,6561(0,9)^4 = 0,729 \times 0,9 = 0,6561

Note que para n=4n = 4, temos (0,9)4=0,6561(0,9)^4 = 0,6561, que ainda é maior que 0,650,65. Isso significa que o risco para 44 doses é de 10,6561=0,34391 - 0,6561 = 0,3439, ou seja, 34,39%34,39\%, o que está perfeitamente dentro do limite aceitável de 35%35\%.

Se testarmos para a próxima dose, teríamos:

  • Para n=5n = 5: (0,9)5=0,6561×0,9=0,59049(0,9)^5 = 0,6561 \times 0,9 = 0,59049

Como 0,590490,59049 é menor que 0,650,65, o risco ultrapassaria os 35%35\% (seria de aproximadamente 40,95%40,95\%). Consequentemente, para 66, 88 ou 1010 doses, o risco seria ainda maior.

Portanto, o maior número admissível de doses para que o risco seja de no máximo 35%35\% é 44 doses.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2009 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.