Questão 125 do ENEM 2013Linguagens

ENEM 2013Linguagens2ª aplicação

Uma língua é um sistema social reconhecível em diferentes variedades e nos muitos usos que as pessoas fazem dela em múltiplas situações de comunicação.

O texto que se apresenta na variedade padrão formal da língua é.
A
Quando você quis eu não quis Qdo eu quis você ñ quis Pensando mal quase q fui Feliz (Cacaso)
B
— Aonde é que você vai, rapaz?! — Tá louco, bicho, vou cair fora! — Mas, qual é, rapaz?! Uma simples operação de apendicite! (Ziraldo)
C
Eu, hoje, acordei mais cedo e, azul, tive uma ideia clara. Só existe um segredo. Tudo está na cara. (Paulo Leminski)
D
Com deus mi deito com deus mi levanto comigo eu calo comigo eu canto eu bato um papo eu bato um ponto eu tomo um drink eu fico tonto. (Chacal)
O tempo é um fio por entre os dedos. Escapa o fio, perdeu-se o tempo. (Henriqueta Lisboa)
Resposta correta
Gabarito oficial: alternativa E

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos identificar qual dos textos apresentados foi escrito seguindo as regras da variedade padrão formal da língua portuguesa.

A variedade padrão formal, também conhecida como norma culta, é aquela que obedece rigorosamente às regras da gramática normativa. Ela é caracterizada pela ausência de gírias, abreviações informais, marcas de oralidade (como reproduções da fala do dia a dia) e desvios ortográficos ou sintáticos.

Vamos analisar cada uma das alternativas para encontrar o texto que se encaixa nessa descrição:

  • Alternativa A: O texto de Cacaso utiliza abreviações muito comuns na escrita informal e rápida, como "Qdo" (quando), "ñ" (não) e "q" (que). Essas marcas afastam o texto da variedade padrão formal.
  • Alternativa B: O trecho de Ziraldo reproduz um diálogo coloquial, repleto de marcas de oralidade e gírias, como "Tá louco", "bicho", "cair fora" e "qual é". É um claro exemplo de variedade informal.
  • Alternativa C: O poema de Paulo Leminski, embora não tenha erros gramaticais grosseiros, utiliza a expressão coloquial "Tudo está na cara" e uma construção poética inusitada ("azul, tive uma ideia clara"), que fogem do rigor e da objetividade esperados na variedade padrão formal.
  • Alternativa D: O texto de Chacal apresenta desvios ortográficos intencionais para representar a fala popular, como em "mi deito" e "mi levanto" (em vez de "me deito" e "me levanto"), além de usar expressões coloquiais como "bato um papo". Portanto, não segue a norma-padrão.
  • Alternativa E: O poema de Henriqueta Lisboa é construído com total respeito às regras da gramática normativa. A sintaxe é clara, a pontuação está correta e a colocação pronominal em "perdeu-se" obedece à norma culta. Não há nenhuma gíria, abreviação ou marca de oralidade.

Dessa forma, o único texto que se apresenta na variedade padrão formal da língua é o da alternativa E.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2013 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.