Questão 2 do ENEM 2024Linguagens

ENEM 2024LinguagensPPL

Una canción

Señor quiero preguntarte ¿si lo que he vivido significa algo?
— Un hombre mutilado
— Mujeres violadas

¿En qué momento la masacre se convirtió en una aburrida noticia para la gente?
Señor, déjame ir contigo y cruzar las fronteras del mundo.

Señor aún no tengo mi visa, ni pasaporte.
Señor llévame contigo al cielo, soy un migrante, no me cobres cuota.

Señor, ayúdame.
Nuestro camino es una cacería sangrienta.
Nuestra sangre cubre las tierras mexicanas.
Nuestro destino, un secuestro y dolor para nuestras familias.

Señor aún no tengo mi visa, ni pasaporte.
Señor llévame contigo al cielo, soy un migrante, no me cobres cuota.

Señor, llévame en un tren rumbo al cielo y no me preguntes si tengo visa, no me asaltes, no me golpees solo eso te pido.

ERNESTO y VICENTE. Disponível em: https://circulodepoesia.com. Acesso em: 15 out. 2021.

Nesse poema, a posição de subalternidade do imigrante se revela na recorrência de uma súplica materializada
pelo uso do vocativo associado ao imperativo.
Resposta correta
B
pelo emprego dos possessivos.
C
pelo ritmo impresso ao poema.
D
pela utilização de adjetivos.
E
pelas perguntas retóricas.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

Para resolver essa questão, precisamos analisar os recursos linguísticos utilizados no poema para expressar a súplica do eu lírico, que é um imigrante em situação de extrema vulnerabilidade. O enunciado nos direciona a procurar a marca gramatical que materializa esse pedido recorrente e evidencia a posição de subalternidade.

Ao longo do poema, notamos uma estrutura sintática que se repete diversas vezes:

  • "Señor, déjame ir contigo..."
  • "Señor llévame contigo al cielo..."
  • "Señor, ayúdame."
  • "Señor, llévame en un tren..."

Nessas passagens, temos a combinação de dois elementos gramaticais fundamentais:

  1. O vocativo: é o termo da oração usado para chamar, invocar ou interpelar o interlocutor. No texto, a palavra "Señor" é usada repetidamente para clamar a uma figura superior (que pode ser interpretada como Deus ou uma autoridade), colocando o eu lírico em uma posição de inferioridade e dependência.
  2. O modo imperativo: é o modo verbal utilizado para expressar ordens, pedidos, conselhos ou, como neste contexto, súplicas. Os verbos déjame (deixe-me), llévame (leve-me), ayúdame (ajude-me), além das formas negativas no me cobres, no me asaltes e no me golpees, estão no imperativo, reforçando o apelo desesperado do imigrante.

A associação constante entre o chamamento (vocativo) e o pedido (imperativo) é o que constrói e materializa a súplica ao longo de todo o texto. Essa estrutura evidencia a posição de subalternidade e impotência do imigrante, que implora por ajuda, proteção e dignidade diante de uma realidade violenta.

Analisando brevemente as outras alternativas para descartá-las:

  • Os possessivos (como nuestro camino, nuestra sangre) indicam pertencimento e a dor coletiva, mas não estruturam a súplica em si.
  • O ritmo, os adjetivos (como sangrienta) e as perguntas retóricas contribuem para a dramaticidade e o tom de denúncia do poema, mas o ato direto de suplicar é gramaticalmente marcado pelo vocativo seguido do imperativo.

Logo, a alternativa que descreve corretamente o recurso utilizado para materializar a súplica é a que aponta o uso do vocativo associado ao imperativo.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2024 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.