Questão 23 do ENEM 2014Ciências Humanas

ENEM 2014Ciências Humanas2ª aplicação

Veneza, emergindo obscuramente ao longo do início da Idade Média das águas às quais devia sua imunidade a ataques, era nominalmente submetida ao Império Bizantino, mas, na prática, era uma cidadeestado independente na altura do século X. Veneza era única na cristandade por ser uma comunidade comercial: “Essa gente não lavra, semeia ou colhe uvas”,  como um surpreso observador do século XI constatou. Comerciantes venezianos puderam negociar termos favoráveis para comerciar com Constantinopla, mas também se relacionaram com mercadores do islã.

FLETCHER, R. A cruz e o crescente: cristianismo e islã, de Maomé à Reforma.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.

A expansão das atividades de trocas na Baixa Idade Média, dinamizadas por centros como Veneza, reflete o(a)
importância das cidades comerciais.
Resposta correta
B
integração entre a cidade e o campo.
C
dinamismo econômico da Igreja cristã.
D
controle da atividade comercial pela nobreza feudal.
E
ação reguladora dos imperadores durante as trocas comerciais.
Gabarito oficial: alternativa A

Resolução comentada

A questão aborda o período da Baixa Idade Média, momento em que a Europa passou por profundas transformações socioeconômicas conhecidas como Renascimento Comercial e Urbano.

Para resolver a questão, precisamos analisar o texto de apoio e o contexto histórico. O texto destaca a cidade de Veneza, descrevendo-a como uma "comunidade comercial" independente, cujos habitantes "não lavram, semeiam ou colhem uvas". Isso significa que a economia veneziana não era baseada na agricultura de subsistência, que era a marca do feudalismo tradicional, mas sim nas trocas mercantis.

Durante a Baixa Idade Média (especialmente a partir do século XIXI), o aumento populacional e as inovações técnicas na agricultura geraram excedentes que impulsionaram o comércio. Cidades italianas, como Veneza e Gênova, aproveitaram sua posição geográfica privilegiada no Mar Mediterrâneo para dominar as rotas comerciais entre o Oriente (Império Bizantino e mundo islâmico) e o Ocidente cristão.

Vamos analisar as alternativas para entender por que a primeira é a resposta:

A alternativa A está correta. O texto ilustra perfeitamente a ascensão e a importância das cidades comerciais (cidades-estado ou burgos). Elas se tornaram os grandes motores da nova economia europeia, rompendo com o isolamento dos feudos e conectando diferentes culturas por meio do comércio.

A alternativa B é incorreta, pois o texto enfatiza justamente a ausência de atividades rurais em Veneza, destacando sua exclusividade comercial em vez de uma integração com o campo.

A alternativa C é incorreta. A Igreja Católica, na verdade, via com desconfiança certas práticas comerciais da época, condenando frequentemente a usura (cobrança de juros) e a busca pelo lucro excessivo.

A alternativa D é incorreta. O comércio era dinamizado por uma nova classe social em ascensão, a burguesia (formada por mercadores e artesãos), e não pela nobreza feudal, que baseava seu poder e riqueza na posse de terras e no trabalho servil.

A alternativa E é incorreta. O próprio texto afirma que Veneza era apenas "nominalmente" submetida ao Império Bizantino, agindo na prática como uma cidade-estado independente. Isso afasta a ideia de uma forte ação reguladora de imperadores sobre suas trocas comerciais.

Portanto, a expansão das atividades de trocas reflete diretamente a importância e a autonomia que essas cidades comerciais adquiriram no período.

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Fonte: prova oficial do ENEM 2014 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.