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Simbolismo: Características, Autores e Resumo Completo

Pintura de atmosfera enevoada e misteriosa, representando a estética subjetiva e onírica do final do século XIX, típica do movimento simbolista.
Fonte: Dasartes

O Simbolismo surge no final do século XIX como um grito de rebelião contra o excesso de razão e ciência. Em um mundo que tentava explicar tudo por meio da objetividade, os poetas simbolistas fecharam os olhos para a realidade material e mergulharam no inconsciente, no mistério e na espiritualidade. No ENEM, essa estética é presença garantida, exigindo do aluno a habilidade de identificar figuras de linguagem focadas nos sentidos (como a sinestesia) e compreender a profunda angústia existencial de seus autores.

Sumário

  1. O Contexto do Fim de Século
  2. O Projeto Literário Simbolista
  3. A Linguagem: Caleidoscópio de Imagens e Sons
  4. O Simbolismo no Brasil e em Portugal
  5. Parnasianismo vs. Simbolismo
  6. Mnemônicos e Dicas
  7. Como Cai no ENEM
  8. Principais Dúvidas
  9. Resumo Completo
  10. Referências

O Contexto do Fim de Século

Para entendermos um estilo de época (padrão estético que reflete a concepção de mundo de uma geração), precisamos olhar para o contexto. No final do século XIX, a Europa vivia a Segunda Revolução Industrial e a expansão do capitalismo. Aparentemente, era a Belle Époque, uma era de otimismo tecnológico.

Contudo, para os artistas, esse cientificismo exacerbado (marcado pelo Realismo e Naturalismo) esvaziou a dimensão espiritual e emocional do ser humano. A realidade visível tornou-se "enganadora" e insuficiente.

O Simbolismo nasce dessa crise social e existencial: é uma estética pessimista, antirracionalista e subjetiva. A ciência falhou em consolar a alma, logo, a literatura volta-se para o "desconhecido".

A Relação com Outras Artes

Esse desejo de romper com a rigidez acadêmica também ocorreu nas artes plásticas. O Impressionismo (com nomes como Monet, Renoir e Degas) rompeu com os contornos nítidos, focando na luz, na sombra e nas impressões subjetivas de momentos fugazes, dialogando perfeitamente com a atmosfera etérea da poesia simbolista.


O Projeto Literário Simbolista

O Simbolismo abandona a ideia de que a palavra deve descrever o mundo de forma exata. O grande lema da escola é a sugestão.

Os pilares do projeto literário simbolista são:

  1. Visão Platônica do Mundo: O mundo é dividido entre a dimensão sensível (as aparências enganosas) e a dimensão das essências (a verdade oculta). A poesia tenta acessar essas essências.
  2. Prioridade do Mistério: A literatura se sobrepõe à realidade concreta; o misticismo e a religiosidade ganham força contra o materialismo.
  3. Ideal da Arte Absoluta: O poeta é como um sacerdote, e a linguagem poética é o ritual sagrado capaz de criar correspondências mágicas entre o homem e a natureza.
  4. Exploração do Inconsciente: Interesse pelo vago, pelo sonho, pela loucura e pelos estados alterados de consciência.

A Linguagem: Caleidoscópio de Imagens e Sons

Para atingir o mundo espiritual, a linguagem tradicional não bastava. Os simbolistas criaram uma verdadeira "alquimia do verbo", utilizando recursos estilísticos muito específicos. Atenção aqui, pois esta é a parte mais cobrada nas provas!

Sinestesia e Sensorialismo

A sinestesia (do grego sunaıˊstheˊsis\text{sunaísthésis}, que significa "percepção simultânea") é a figura de linguagem rainha do Simbolismo. Ela consiste em misturar sensações percebidas por órgãos dos sentidos diferentes em uma mesma expressão.

  • Voz macia \rightarrow Audição + Tato
  • Perfume doce \rightarrow Olfato + Paladar
  • Luz fria \rightarrow Visão + Tato

Musicalidade (Aliteração e Assonância)

A poesia simbolista queria ser pura música, pois a música atinge a emoção sem precisar explicar nada racionalmente. Para isso, abusavam de:

  • Aliteração: Repetição de sons consonantais.
  • Assonância: Repetição de sons vocálicos.

"Vozes veladas, veludosas vozes, / Volúpias dos violões, vozes veladas..." (Notem o som contínuo da consoante "V" imitando o zumbido ou o vento — Cruz e Sousa)

Maiúsculas Alegorizantes e Reticências

  • Maiúsculas no meio do texto: Palavras comuns ganham iniciais maiúsculas para serem personificadas e elevadas ao status de entidades metafísicas (ex: a Dor, a Forma, o Amor, o Mistério). Isso é um tipo de prosopopeia.
  • Reticências (...): Servem para criar pausas rítmicas, silêncios musicais e dar um tom vago, sugerindo que há algo muito além do que as palavras podem dizer.

O Simbolismo no Brasil e em Portugal

Retrato histórico em preto e branco do poeta Cruz e Sousa, conhecido como o Cisne Negro do Simbolismo brasileiro.
Fonte: Português
*[Imagem: Retrato histórico em preto e branco do poeta Cruz e Sousa, conhecido como o Cisne Negro do Simbolismo brasileiro.]*

A estética espalhou-se de forma distinta nos países de língua portuguesa.

O Simbolismo em Portugal

Marcado profundamente por uma crise política e identitária — o Ultimatum Inglês (1890), que forçou Portugal a recuar em suas ambições coloniais —, o Simbolismo português é carregado de pessimismo, saudosismo e uma sensação de humilhação nacional.

Principais autores:

  • Eugénio de Castro: Introduziu o movimento focado na renovação métrica e sonora.
  • António Nobre: Poesia focada na saudade, na idealização da infância e da pátria.
  • Camilo Pessanha: Maior expoente português, autor de Clepsidra. Sua obra é o suprassumo da desolação, do fluxo fragmentário e da dor existencial.

O Simbolismo no Brasil

No Brasil, o movimento inicia-se oficialmente em 1893, com a publicação simultânea de duas obras de Cruz e Sousa: Missal (poemas em prosa) e Broquéis (poesia).

Inicialmente, os simbolistas brasileiros foram hostilizados pela elite cultural parnasiana e apelidados pejorativamente de "Nefelibatas" (aqueles que andam nas nuvens).

João da Cruz e Sousa (O Cisne Negro)

Negro, filho de ex-escravizados, enfrentou severo preconceito em vida. Sua poesia busca fugir da matéria (e da sociedade que o oprimia) em direção à transcendência espiritual.

  • Características: Profundidade metafísica, vocabulário litúrgico/místico, agonia existencial e uma marcante obsessão pela cor branca (neves, neblinas, luas, marfim, castidade) como símbolo de purificação e elevação da alma.

Alphonsus de Guimaraens

Poeta mineiro, teve sua vida marcada pela morte precoce de sua noiva. Sua obra é um santuário de melancolia.

  • Características: Extrema religiosidade (catolicismo), misticismo e o tema da morte tratada como libertação. Seu poema mais famoso, Ismália, retrata o desvario entre o desejo de subir ao céu (espiritualidade) e descer ao mar (morte física).

Parnasianismo vs. Simbolismo

O ENEM adora colocar essas duas escolas lado a lado. Enquanto ambas ocorrem quase no mesmo período histórico, suas propostas são o oposto absoluto.

Quadro comparativo mostrando de um lado a objetividade e clareza do Parnasianismo e, do outro, a subjetividade e o mistério do Simbolismo.
Fonte: YouTube
*[Imagem: Quadro comparativo mostrando de um lado a objetividade e clareza do Parnasianismo e, do outro, a subjetividade e o mistério do Simbolismo.]*
AtributoParnasianismoSimbolismo
ObjetivoBeleza formal, materialidade, perfeiçãoSugestão, captação da essência, mistério
Lema"A Arte pela Arte"A literatura como via de transcendência
Visão de MundoRacionalismo, equilíbrio clássico, luzSubjetivismo, pessimismo, neblinas e sombras
LinguagemObjetiva, descritiva, clareza plásticaVaga, imprecisa, rica em sinestesias
Ritmo/FormaMétrica rígida (sonetos alexandrinos)Foco na musicalidade, maior liberdade rítmica
PúblicoAclamado pela elite intelectual da épocaInicialmente incompreendido e marginalizado

Mnemônicos e Dicas

Para não esquecer as características do Simbolismo na hora da prova, lembre-se da Regra dos 5 S's:

  1. Subjetividade (foco no "Eu" mais profundo).
  2. Sugestão (não descrever, apenas evocar).
  3. Sinestesia (mistura de sentidos).
  4. Sonoridade (aliterações, musicalidade).
  5. Sonho (fuga da realidade material).

Outro macete famoso é pensar na sigla M³ (M ao cubo):

  • Misticismo
  • Musicalidade
  • Morte/Melancolia

Como Cai no ENEM

O Exame Nacional do Ensino Médio não pedirá que você decore anos de publicação, mas exigirá que você sinta o texto. O padrão de cobrança envolve:

  1. Reconhecimento de Figuras de Linguagem: Você receberá um trecho de Cruz e Sousa ou Alphonsus e a questão pedirá para identificar a construção poética central. Procure pela Sinestesia e pela Aliteração.
  2. Contraposição de Escolas: Textos de Machado de Assis (Realismo) ou Olavo Bilac (Parnasianismo) contrastados com um texto simbolista. O gabarito geralmente envolverá a palavra "subjetividade" ou "ruptura com a racionalidade/objetividade".
  3. Vocabulário: Textos que abusam de palavras ligadas à translucidez, neblina, incenso, cor branca, altares e choros. Se você notar que o texto parece um "canto gregoriano", a alternativa certa apontará para a dimensão espiritual ou transcendental da poesia.

Pegadinha comum: Cuidado para não confundir o Pessimismo Simbolista (metafísico, angústia espiritual) com o Pessimismo Realista/Naturalista (determinismo biológico, denúncia social dura e crua). O simbolista sofre porque não alcança o mundo espiritual; o naturalista sofre pelas condições de vida animalizadas.


Principais Dúvidas


Resumo Completo

O Simbolismo (1893-1902, no Brasil) foi um movimento literário e artístico do final do século XIX que se ergueu contra o materialismo, o racionalismo científico e a objetividade do Realismo e do Parnasianismo. Focado no espiritual e no inconsciente, buscou atingir o mundo das essências através de uma linguagem altamente sugestiva e musical.

Principais Características e Recursos:

  • Sugestão: A literatura não deve descrever, mas sugerir imagens vagas.
  • Transcendência e Misticismo: Fuga do mundo material rumo ao espiritual.
  • Sinestesia: Mistura de diferentes sentidos humanos (doce som, luz fria).
  • Musicalidade: Uso extensivo de aliteração (repetição de consoantes) e assonância (vogais).
  • Maiúsculas Alegorizantes e Reticências: Para dar tom solene, vago e misterioso.

Autores em Destaque:

  • Portugal: Camilo Pessanha (Clepsidra), António Nobre, Eugénio de Castro. (Marcado pela crise do Ultimatum Inglês).
  • Brasil:
    • Cruz e Sousa: Inicia o movimento com Missal e Broquéis. Obra marcada pela obsessão com a cor branca e elevação espiritual.
    • Alphonsus de Guimaraens: Foco na morte, no amor impossível e na religiosidade acentuada (poema Ismália).

Checklist final para a prova:

  • Sei diferenciar o pessimismo materialista do Naturalismo da angústia espiritual do Simbolismo.
  • Consigo identificar uma Sinestesia e uma Aliteração em um poema.
  • Compreendo o abismo entre o objetivismo Parnasiano e o subjetivismo Simbolista.
  • Conheço os nomes dos expoentes brasileiros: Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens.

Referências

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