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Concordância e Regência Nominal e Verbal: Resumo e Regras para o ENEM

Ilustração de peças de quebra-cabeça se encaixando, representando a concordância e a ligação das palavras na sintaxe do português.
Fonte: Brasil Escola - UOL

Escrever e ler de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa é como montar um quebra-cabeça perfeito: cada peça (palavra) deve se encaixar harmoniosamente com as outras. A concordância e a regência são os pilares da Sintaxe que garantem que as palavras combinem em gênero, número, pessoa e conectivos. No ENEM, dominar esse tema é crucial não só para as questões objetivas de Linguagens, mas principalmente para garantir os 200 pontos na Competência 1 da Redação.

Sumário

  1. O que é Sintaxe de Concordância e Regência?
  2. Concordância Verbal
    1. A Regra Geral
    2. Verbos Impessoais (Haver e Fazer)
    3. Sujeito Composto
    4. A Partícula "Se"
  3. Concordância Nominal
    1. Casos Especiais
    2. Meio e Bastante
    3. Expressões Formadas com o Verbo Ser
  4. Regência Verbal
    1. Verbos com Dupla Regência e Sentidos Diferentes
    2. Verbos de Regência Fixa Que Causam Dúvidas
  5. Regência Nominal
  6. Mnemônicos e Dicas
  7. Como Cai no ENEM
  8. Principais Dúvidas
  9. Resumo Completo
  10. Referências

O que é Sintaxe de Concordância e Regência?

Antes de decorarmos regras, precisamos entender a essência: o que separa a concordância da regência?

Ambas tratam da relação entre as palavras dentro de uma frase, mas analisam aspectos diferentes da gramática:

AspectoConcordânciaRegência
FocoCombinação morfológica: flexão de gênero, número e pessoa.Relação de subordinação: exigência (ou não) de preposições.
Exemplo VerbalNós vamos (verbo no plural concordando com "nós").Nós vamos ao cinema (quem vai, vai a algum lugar).
Exemplo NominalAs boas ideias (tudo flexionado no plural e feminino).Acesso à internet (o nome "acesso" exige a preposição "a").

Concordância Verbal

A concordância verbal trata da harmonia entre o verbo e o sujeito da oração.

A Regra Geral

O verbo sempre concorda em número (singular/plural) e pessoa (1ª, 2ª, 3ª) com o núcleo do sujeito simples.

Exemplo:

  • Aquele grupo de estudantes chegou cedo.
  • O verbo "chegou" fica no singular porque concorda com "grupo" (núcleo do sujeito), e não com "estudantes" (adjunto adnominal).
Mapa mental mostrando as regras de concordância verbal com foco no sujeito composto e verbos impessoais
Fonte: Maps4Study
*[Imagem: Mapa mental mostrando as regras de concordância verbal com foco no sujeito composto e verbos impessoais]*

Verbos Impessoais

Este é o calcanhar de Aquiles de muitos estudantes! Verbos impessoais não possuem sujeito, logo, ficam sempre na 3ª pessoa do singular.

Os casos que mais caem nas provas são:

  1. Verbo HAVER no sentido de existir ou ocorrer.
    • Incorreto: Haviam muitas pessoas na festa.
    • Correto: Havia muitas pessoas na festa.
  2. Verbo FAZER indicando tempo decorrido ou fenômeno da natureza.
    • Incorreto: Fazem dez anos que não a vejo.
    • Correto: Faz dez anos que não a vejo.

Sujeito Composto

Quando há mais de um núcleo no sujeito, temos duas situações dependendo da posição do verbo:

  • Antes do verbo (Sujeito Anteposto): O verbo vai obrigatoriamente para o plural.
    • O professor e o aluno chegaram.
  • Depois do verbo (Sujeito Posposto): O verbo pode ir para o plural ou concordar com o núcleo mais próximo.
    • Chegaram o professor e o aluno. (plural)
    • Chegou o professor e o aluno. (concorda com o mais próximo)

A Partícula "Se"

O uso do "se" muda completamente a concordância dependendo de sua função sintática:

Partícula Apassivadora: Ocorre com verbos transitivos diretos (VTD). O verbo deve concordar com o sujeito paciente (o objeto que sofre a ação).

  • Vende-se casa. (A casa é vendida).
  • Vendem-se casas. (As casas são vendidas — o verbo vai para o plural).

Índice de Indeterminação do Sujeito: Ocorre com verbos transitivos indiretos (VTI), intransitivos ou de ligação, sempre exigindo preposição. O verbo fica sempre no singular.

  • Precisa-se de funcionários. (Quem precisa, precisa de algo. Não tem como ir para o plural).

Concordância Nominal

A concordância nominal estuda a harmonia entre o substantivo (ou pronome) e as palavras que o caracterizam ou determinam: adjetivos, numerais, pronomes e artigos.

A regra geral é simples: as palavras satélites concordam em gênero e número com o substantivo. Porém, os concursos e o ENEM adoram cobrar os "casos especiais".

Casos Especiais

Palavras que funcionam como adjetivos sempre variam para concordar com o substantivo a que se referem:

  • Obrigado(a): Concorda com quem fala. Um homem diz "Muito obrigado"; uma mulher diz "Muito obrigada".
  • Anexo / Incluso: As planilhas seguem anexas; Os documentos vão inclusos.
  • Mesmo / Próprio: Elas mesmas fizeram o trabalho; Os diretores próprios resolveram.

Palavras que funcionam como advérbios são invariáveis (nunca vão para o plural ou feminino):

  • Menos: Não existe "menas". A palavra é sempre invariável. (Havia menos pessoas na sala).
  • Alerta: Eles ficaram alerta. (E não "alertas").
  • Pseudo: Era uma pseudo-intelectual.

Meio e Bastante

Estas duas palavras causam confusão porque podem assumir dupla função. Para não errar, use a técnica da substituição:

  • MEIO:
    • Se puder trocar por um pouco (advérbio): INVARIÁVEL. Ex: Ela está meio chateada.
    • Se puder trocar por metade (numeral adjetivo): VARIÁVEL. Ex: Ela bebeu meia taça de suco.
  • BASTANTE:
    • Se puder trocar por muito (advérbio): INVARIÁVEL. Ex: Eles estudaram bastante.
    • Se puder trocar por muitos/muitas (pronome adjetivo): VARIÁVEL. Ex: Havia bastantes motivos para a comemoração.

Expressões Formadas com o Verbo Ser

Expressões como é bom, é proibido e é necessário seguem uma regra de ouro baseada no uso de artigos ou determinantes:

  • Sem determinante: Ficam invariáveis.
    • Água é bom para a saúde.
    • Entrada é proibido.
  • Com determinante (artigo "a/o"): Variam concordando com o sujeito.
    • A água é boa para a saúde.
    • A entrada é proibida.

Regência Verbal

A regência verbal trata da transitividade. É o estudo de como um verbo exige (ou não) complementos e, principalmente, se ele exige a presença de uma preposição.

Erros de regência na Redação do ENEM penalizam severamente a nota da Competência 1 e frequentemente resultam na perda indevida (ou uso incorreto) da crase.

Infográfico ou esquema destacando a diferença de significado e transitividade dos verbos assistir e aspirar dependendo da preposição
Fonte: Lingua Minha
*[Imagem: Infográfico ou esquema destacando a diferença de significado e transitividade dos verbos assistir e aspirar dependendo da preposição]*

Verbos com Dupla Regência e Sentidos Diferentes

Alguns verbos mudam completamente de sentido dependendo de pedirem ou não preposição. São as "pegadinhas" clássicas de provas.

VerboRegência e PreposiçãoSignificadoExemplo Correto
AssistirSem preposição (VTD)Ajudar, dar suporteO médico assistiu o paciente.
AssistirCom preposição a (VTI)Ver, presenciarEu assisti ao jogo do Brasil.
AspirarSem preposição (VTD)Cheirar, inalarA moça aspirou o perfume doce.
AspirarCom preposição a (VTI)Desejar, almejarEle aspira ao cargo de diretor.
VisarSem preposição (VTD)Mirar, dar vistoO gerente visou o cheque.
VisarCom preposição a (VTI)Ter como objetivoA lei visa à proteção ambiental.
ImplicarSem preposição (VTD)Acarretar, gerar (consequência)O atraso implicará suspensão.
ImplicarCom preposição com (VTI)Ter aversão, provocarO garoto implicava com o colega.

Verbos de Regência Fixa Que Causam Dúvidas

  1. Chegar e Ir: Exigem a preposição A (indicando destino).
    • Errado: Vou no banheiro. / Cheguei em casa.
    • Correto: Vou ao banheiro. / Cheguei a casa.
  2. Esquecer e Lembrar:
    • Se não tiver pronome: Não tem preposição. (Eu esqueci o celular).
    • Se tiver pronome: Exige preposição DE. (Eu me esqueci do celular).
  3. Preferir: Exige a preposição A. Não se deve usar "do que" ou "mais que".
    • Errado: Prefiro doce do que salgado.
    • Correto: Prefiro doce a salgado.

Regência Nominal

Assim como os verbos, vários nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) têm sentidos incompletos sozinhos e necessitam de complementos introduzidos obrigatoriamente por preposições. Conhecer as mais comuns é essencial:

  • Acessível: a (O plano é acessível a todos)
  • Acostumado: a, com (Ele está acostumado com o barulho)
  • Aversão: a, por (Ela tem aversão a lugares fechados)
  • Alheio: a, de (Ele vive alheio aos problemas)
  • Apto: a, para (Estou apto para o trabalho)
  • Favorável: a (A decisão foi favorável ao réu)

Mnemônicos e Dicas

A nossa memória adora rimas e frases prontas! Aqui estão algumas dicas populares para você levar para a hora da prova:

  • Haver: "Verbo haver de existir, o plural não vai pedir!" (Logo: Havia pessoas).
  • Fazer: "Fazer com ideia de tempo que passou, no singular sempre ficou." (Logo: Faz dez anos).
  • Se de passiva: "Quem vende, vende alguma coisa. Casa é vendida. Logo, vendem-se casas!" Sempre inverta a frase para descobrir se é passiva.
  • Meio: "Não existe 'meia' cansada, porque mulher nenhuma se cansa pela metade!" O advérbio é sempre MEIO (Ela está meio cansada).
  • Assistir: "Quem assiste no sofá, preposição 'A' tem que usar." (Eu assisto AO filme).

Como Cai no ENEM

O ENEM tem uma abordagem diferente das provas militares e vestibulares tradicionais. Você raramente encontrará uma questão dizendo "Assinale a alternativa que apresenta erro de concordância".

Veja como esses temas costumam ser cobrados:

  1. Variação Linguística (Competência de Leitura): O ENEM costuma opor um texto formal e um coloquial. Pode perguntar por que um falante utilizou "nós vai" em vez de "nós vamos", explorando a adequação da variante linguística ao contexto comunicativo.
  2. Interpretação Baseada na Sintaxe: Questões onde o sentido da frase muda completamente caso a concordância ou a regência sejam alteradas. (Ex: "Esqueci o livro" vs "Esqueceu-se do livro").
  3. Na Redação (Competências 1 e 3):
    • Competência 1: É aqui que a gramática brilha. Desvios como "os problema", "fazem anos" ou esquecer a crase ao usar um verbo transitivo indireto (ex: "A sociedade assiste à violência") derrubam sua nota.
    • Competência 3: Se você errar a regência, a coerência sofre. Dizer "Medidas que implicam no aumento" (errado) em vez de "implicam o aumento" (correto) demonstra imprecisão de vocabulário e coesão.

Principais Dúvidas


Resumo Completo

A Sintaxe da Língua Portuguesa exige que as palavras se conectem perfeitamente. A Concordância lida com as flexões (gênero, número, pessoa), enquanto a Regência foca no uso correto de complementos e preposições que geram a dependência de sentido entre as palavras.

  • Concordância Verbal:
    • O verbo deve concordar com o núcleo do sujeito.
    • Verbos Impessoais: "Haver" (existir) e "Fazer" (tempo) não têm sujeito. Ficam sempre no singular (Havia dias / Faz meses).
    • Partícula SE: Com VTD = apassivadora (Vendem-se casas). Com VTI = indeterminação do sujeito (Precisa-se de funcionários, sempre no singular).
  • Concordância Nominal:
    • Adjetivos acompanham gênero e número do substantivo (Obrigado/a, Anexo/a).
    • Advérbios são inflexíveis (Menos, Alerta).
    • Dica do MEIO e BASTANTE: troque por "um pouco" e "muito" (invariáveis) ou "metade" e "muitos" (variáveis).
  • Regência Verbal e Nominal:
    • Preste atenção aos verbos "camaleões". Assistir o paciente = cuidar. Assistir ao filme = ver.
    • Aspirar o pó = inalar. Aspirar à vaga = desejar.
    • Verbo preferir não usa "do que", usa preposição "a" (Prefiro doce a salgado).

Checklist Final para a Prova:

  • Sei identificar o núcleo do sujeito para não errar a concordância verbal?
  • Lembro que "Haver" (existir) e "Fazer" (tempo) são impessoais?
  • Consigo distinguir quando usar o verbo no singular ou plural diante da partícula "SE"?
  • Lembro que advérbios como "menos" não variam nunca?
  • Sei as duplas regências dos verbos assistir, aspirar e visar?
  • Cuidado com verbos que pedem "a", pois são gatilhos diretos para uso de Crase na Redação!

Referências

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