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Revolução Francesa e Império Napoleônico: Fases, Causas e Resumo

Pintura 'A Liberdade Guiando o Povo' de Eugène Delacroix, mostrando uma mulher com a bandeira francesa liderando populares em meio a barricadas
Fonte: Wikipédia

A Revolução Francesa (1789) não foi apenas um conflito armado; foi um terremoto político, social e cultural que destruiu as bases do Absolutismo e moldou o mundo em que vivemos. Ao lado da ascensão de Napoleão Bonaparte, esse período marca a transição definitiva da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. No ENEM, compreender a queda dos privilégios nobres, a ascensão da burguesia e a criação do conceito moderno de "cidadania" é absolutamente essencial.

Sumário

  1. O Antigo Regime e as Causas da Revolução
  2. Fases da Revolução Francesa
    1. Assembleia Nacional e Monarquia Constitucional (1789-1792)
    2. Convenção Nacional e a Fase do Terror (1792-1795)
    3. O Diretório (1795-1799)
  3. A Era Napoleônica (1799-1815)
    1. O Consulado (1799-1804)
    2. O Império e o Bloqueio Continental (1804-1815)
  4. O Congresso de Viena e a Santa Aliança
  5. Mnemônicos e Dicas
  6. Como Cai no ENEM
  7. Principais Dúvidas
  8. Resumo Completo
  9. Referências

O Antigo Regime e as Causas da Revolução

Para entender por que a revolução explodiu, precisamos olhar para a França antes de 1789. O país vivia sob o Antigo Regime, caracterizado pelo Absolutismo monárquico (onde o rei Luís XVI detinha poder total justificado pelo Direito Divino) e por uma sociedade estamental extremamente desigual, baseada em privilégios de nascimento.

A sociedade francesa estava dividida em três grandes ordens ou "Estados":

EstadoComposiçãoCaracterísticas e Privilégios% da População
Primeiro EstadoAlto e Baixo Clero (Igreja)Isenção de impostos, recebiam o dízimo, possuíam vastas extensões de terra.~ 1%
Segundo EstadoNobreza de Sangue e de TogaIsenção de impostos, recebiam pensões do Estado, monopólio de cargos militares e políticos.~ 2%
Terceiro EstadoBurguesia, camponeses, artesãos e sans-culottes (trabalhadores urbanos)Sustentavam o país pagando todos os impostos. Sem direitos políticos ou privilégios.~ 97%
Diagrama em formato de pirâmide mostrando o Primeiro Estado (Clero) e o Segundo Estado (Nobreza) no topo, sendo sustentados pelo Terceiro Estado (Povo e Burguesia) na base
Fonte: Passei Direto
*[Imagem: Diagrama em formato de pirâmide mostrando o Primeiro Estado (Clero) e o Segundo Estado (Nobreza) no topo, sendo sustentados pelo Terceiro Estado (Povo e Burguesia) na base]*

Além dessa terrível desigualdade estrutural, três fatores serviram como "faíscas" para a revolução:

  1. A influência do Iluminismo: Filósofos como Rousseau, Montesquieu e Voltaire questionavam abertamente o poder absoluto do rei e os privilégios da Igreja.
  2. A Crise Financeira: A França gastou fortunas na Guerra dos Sete Anos e no apoio à Independência dos Estados Unidos. Os cofres estavam vazios.
  3. A Crise Agrícola: Más colheitas na década de 1780 geraram inflação absurda. O preço do pão disparou, e a população começou a passar fome.

Diante da falência do Estado, o rei Luís XVI convocou os Estados Gerais (uma assembleia com representantes dos três estados) para tentar passar uma reforma tributária. O Terceiro Estado queria votação "por cabeça" (o que lhes daria vantagem, pois eram maioria), mas o clero e a nobreza queriam voto "por Estado" (sempre vencendo por 2 a 1). Frustrado e ignorado, o Terceiro Estado se separou e jurou criar uma nova constituição para a França. Era o fim do Antigo Regime.


Fases da Revolução Francesa

A Revolução não aconteceu em um único dia. Foi um processo longo, turbulento e dividido em fases que refletem a disputa pelo poder entre os diferentes grupos do Terceiro Estado.

Assembleia Nacional e Monarquia Constitucional (1789-1792)

Em 14 de julho de 1789, o povo de Paris, revoltado e temendo uma repressão militar do rei, tomou de assalto a Bastilha, uma antiga prisão que simbolizava a tirania do absolutismo. Este evento ("A Queda da Bastilha") é o marco inicial da Revolução.

Nesta fase, sob liderança da burguesia moderada, as principais realizações foram:

  • Abolição dos privilégios feudais da nobreza.
  • Aprovação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que estabeleceu a igualdade perante a lei, o direito à propriedade e a liberdade de expressão. O povo deixava de ser súdito e passava a ser cidadão.
  • Aprovação da Constituição de 1791, transformando a França em uma Monarquia Constitucional (o rei reinava, mas agora devia obedecer às leis). O voto, porém, era censitário (só os mais ricos podiam votar).
Pintura histórica retratando a multidão armada invadindo a prisão da Bastilha em Paris, com fumaça e combates
Fonte: InfoEscola
*[Imagem: Pintura histórica retratando a multidão armada invadindo a prisão da Bastilha em Paris, com fumaça e combates]*

Convenção Nacional e a Fase do Terror (1792-1795)

O rei Luís XVI tentou fugir da França para se aliar a potências estrangeiras (Áustria e Prússia) e esmagar a revolução, mas foi capturado, julgado por traição e guilhotinado em 1793. Foi proclamada a República e uma nova assembleia assumiu o poder: a Convenção Nacional.

Aqui os grupos políticos do Terceiro Estado se dividiram de forma definitiva, dando origem aos conceitos de Esquerda e Direita:

  • Girondinos (Direita): Representavam a alta burguesia (banqueiros, grandes comerciantes). Temiam a radicalização popular e queriam estabilidade para os negócios.
  • Jacobinos (Esquerda): Representavam a pequena burguesia, intelectuais e tinham forte apoio dos sans-culottes (povo pobre de Paris). Exigiam medidas radicais, como sufrágio universal (voto para todos os homens) e reforma agrária.

Sob a liderança do jacobino Maximilien Robespierre, a revolução entrou na sua fase mais radical: o Período do Terror. Para defender a revolução de inimigos externos e internos (como a revolta conservadora da Vendeia), os Jacobinos criaram o Comitê de Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário. Qualquer suspeito de ser contra a revolução era condenado e executado. A guilhotina trabalhou sem parar.

Apesar da carnificina, foi nessa fase que aboliram a escravidão nas colônias francesas (Haiti) e tabelaram o preço do pão (Lei do Máximo). Contudo, o excesso de execuções fez Robespierre perder o apoio popular, culminando na sua própria prisão e execução na chamada Reação Termidoriana (1794), que devolveu o poder à alta burguesia.

O Diretório (1795-1799)

Com os Girondinos novamente no poder, a França passou a ser governada por um conselho de cinco membros chamado Diretório. Foi um período de enorme instabilidade.

A alta burguesia anulou as conquistas sociais dos jacobinos (como o voto universal) e enfrentou constantes tentativas de golpe tanto de monarquistas (que queriam o rei de volta) quanto de radicais de esquerda. A corrupção e a crise econômica corriam soltas.

A burguesia percebeu que precisava de um governo forte, centralizado e com prestígio militar para "colocar a casa em ordem" e garantir seus negócios. A solução foi apoiar um jovem e brilhante general do exército francês: Napoleão Bonaparte.


A Era Napoleônica (1799-1815)

O fim da Revolução Francesa e o início da Era Napoleônica ocorreram em 9 de novembro de 1799, com o famoso Golpe do 18 Brumário. Napoleão tomou o poder com apoio do exército e da alta burguesia, prometendo estabilidade, pacificação e desenvolvimento econômico.

O Consulado (1799-1804)

Nesta primeira fase, Napoleão governava ao lado de outros dois cônsules, mas na prática concentrava todo o poder. Foi o período de consolidação das conquistas burguesas.

As principais medidas do Consulado foram:

  • Criação do Banco da França: Para controlar a inflação, emitir moeda forte (o franco) e fornecer crédito à indústria.
  • Reforma Educacional: Criação de liceus (escolas secundárias) subordinados ao Estado para formar administradores competentes e soldados leais, baseados na meritocracia.
  • Código Civil de 1804 (Código Napoleônico): Uma de suas maiores obras. Garantiu a igualdade perante a lei, o respeito absoluto à propriedade privada e o casamento civil, separando a Igreja do Estado. No entanto, retrocedeu nos direitos trabalhistas e submeteu as mulheres à autoridade de seus maridos.

Tamanho foi o seu sucesso que, por meio de um plebiscito (consulta popular), Napoleão foi aclamado Imperador da França.

Pintura clássica da consagração do Imperador Napoleão I coroando a Imperatriz Josefina na Catedral de Notre-Dame
Fonte: ensinarhistoria.com.br
*[Imagem: Pintura clássica da consagração do Imperador Napoleão I coroando a Imperatriz Josefina na Catedral de Notre-Dame]*

O Império e o Bloqueio Continental (1804-1815)

Napoleão queria transformar a França na maior potência mundial, o que inevitavelmente o colocou em choque militar com a Grã-Bretanha (a potência hegemônica e industrial da época). O exército francês (invencível em terra) expandiu o domínio francês por grande parte da Europa, depondo monarquias tradicionais e espalhando os ideais burgueses e o Código Civil.

No entanto, a marinha francesa foi destruída pela frota britânica na Batalha de Trafalgar (1805). Sem conseguir invadir a Inglaterra, Napoleão adotou uma estratégia econômica de asfixia:

  • O Bloqueio Continental (1806): Um decreto que proibia todas as nações da Europa Continental de comercializar com a Grã-Bretanha. O objetivo era arruinar a indústria britânica por falta de mercados consumidores.

Conexão com a História do Brasil: Portugal dependia economicamente da Inglaterra e quebrou o Bloqueio Continental. Como retaliação, Napoleão invadiu Portugal em 1807. Isso forçou a Fuga da Família Real Portuguesa para o Brasil em 1808, um evento que culminaria na nossa Independência alguns anos depois!

O Declínio e o Governo dos Cem Dias

O Bloqueio Continental foi um tiro pela culatra. A indústria francesa não conseguia abastecer a Europa, o contrabando reinava, e os países começaram a se rebelar.

Em 1812, o Império Russo rompeu o bloqueio. Napoleão enviou mais de 600 mil homens para invadir a Rússia. Os russos utilizaram a tática da terra arrasada (destruindo suprimentos, plantações e abrigos enquanto recuavam), deixando o exército francês à mercê do terrível inverno russo. Menos de 100 mil soldados retornaram com vida.

Enfraquecido, Napoleão foi derrotado em 1814 por uma coalizão europeia e exilado na Ilha de Elba. No ano seguinte, ele fugiu, retornou a Paris aclamado pelo povo e retomou o poder no que ficou conhecido como O Governo dos Cem Dias. Em 1815, porém, ele foi definitivamente derrotado na famosa Batalha de Waterloo, na Bélgica, e exilado na Ilha de Santa Helena, onde morreria.


O Congresso de Viena e a Santa Aliança

Com a derrota de Napoleão, os governantes europeus do Antigo Regime (Áustria, Prússia, Rússia e Grã-Bretanha) se reuniram no Congresso de Viena (1814-1815), liderados pelo chanceler austríaco Metternich. O objetivo era claro: apagar o incêndio revolucionário e tentar voltar no tempo.

O Congresso foi guiado por dois princípios fundamentais:

  1. Princípio da Legitimidade: Restaurar as dinastias e famílias reais que haviam sido derrubadas por Napoleão ou pela Revolução, devolvendo-lhes os tronos (os Bourbons voltaram ao poder na França, por exemplo).
  2. Princípio do Equilíbrio de Poder: Redesenhar o mapa da Europa para evitar que um único país se tornasse hegemônico novamente, dividindo territórios de forma equilibrada entre as potências vencedoras.

Para garantir que a ordem restaurada não fosse novamente abalada por ondas revolucionárias liberais, foi criada a Santa Aliança, um pacto político-militar entre Rússia, Prússia e Áustria. A Santa Aliança tinha a missão de intervir militarmente em qualquer país onde houvesse focos de revolução burguesa ou tentativas de emancipação colonial.

Nota: Apesar dos esforços conservadores do Congresso de Viena, não se pode "desinventar" ideias. O século XIX seria varrido por Ondas Revolucionárias (como as de 1830 e a Primavera dos Povos de 1848), marcando o fim definitivo do absolutismo na Europa.


Mnemônicos e Dicas

  1. A Ordem das Fases da Revolução Francesa Lembre-se da frase: "A Moça Come Doces"

    • Assembleia Nacional Constituinte
    • Monarquia Constitucional
    • Convenção Nacional (Terror)
    • Diretório
  2. Esquerda x Direita (Origem Histórica) Para não esquecer quem era quem na Convenção Nacional:

    • Girondinos (alta burguesia) tem a letra G, que lembra Grandes negócios, e sentavam à Direita.
    • Jacobinos (povo e radicais) sentavam à Esquerda. É dessa época que surgiram os termos políticos de "Esquerda" (foco no social/povo) e "Direita" (foco no conservadorismo/livre mercado) usados até hoje.
  3. Napoleão e o B.I.C. Para resumir a Era Napoleônica e sua expansão:

    • Bloqueio Continental
    • Império (expansão armada)
    • Código Civil (proteção da propriedade)

Como Cai no ENEM

A Revolução Francesa e a Era Napoleônica são temas frequentes, e o ENEM quase nunca pede datas exatas. A prova gosta de testar sua compreensão sobre:

  • A Cidadania: A transição do status de "súdito" (submisso ao rei) para "cidadão" (sujeito de direitos e deveres). Textos sobre a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão são muito comuns.
  • O Triunfo da Burguesia: O ENEM foca no fato de que a revolução acabou com as amarras feudais (impostos abusivos do clero e nobreza), abrindo caminho para a consolidação do capitalismo e valorização da propriedade privada e meritocracia.
  • O Código Napoleônico: Geralmente cobrado como um instrumento jurídico feito para proteger as vitórias da burguesia e não para ajudar os mais pobres, ressaltando suas contradições (liberdade comercial vs retrocesso nos direitos das mulheres).
  • Desdobramentos no Brasil: A vinda da Família Real para o Brasil motivada pelo Bloqueio Continental é um dos "crossovers" preferidos do vestibular.

Principais Dúvidas


Resumo Completo

A Revolução Francesa (1789-1799) foi o evento que marcou o declínio do Absolutismo e da sociedade de privilégios do Antigo Regime na Europa. Iniciada por uma grave crise econômica que assolava o Terceiro Estado, a revolução derrubou a monarquia e introduziu valores iluministas de igualdade, liberdade e fraternidade. Na sequência, a Era Napoleônica espalhou esses ideais pelo continente até o seu colapso, resultando na tentativa conservadora do Congresso de Viena de restaurar a velha ordem absolutista.

  • Antigo Regime: A sociedade era estamental e dividida em Primeiro Estado (Clero), Segundo Estado (Nobreza) e Terceiro Estado (Povo e Burguesia). Apenas o Terceiro Estado pagava impostos, sustentando os privilégios dos demais.
  • Principais Fases da Revolução:
    • Assembleia Constituinte (1789-1791): Queda da Bastilha, fim dos privilégios feudais e Declaração dos Direitos do Homem.
    • Monarquia Constitucional (1791-1792): Divisão de poderes, voto censitário.
    • Convenção Nacional (1792-1795): Proclamação da República, ascensão dos Jacobinos e a fase do "Terror" (liderada por Robespierre) com uso extensivo da guilhotina.
    • Diretório (1795-1799): Retorno da Alta Burguesia (Girondinos) ao poder, marcado por corrupção e forte instabilidade política.
  • A Era Napoleônica (1799-1815): Napoleão ascende com o Golpe do 18 Brumário. No Consulado, ele cria o Banco da França e o Código Civil (que defende a propriedade privada). No Império, decreta o Bloqueio Continental contra a Inglaterra, expandindo seu domínio, até fracassar na invasão à Rússia.
  • Congresso de Viena (1815): Reação conservadora europeia baseada na Legitimidade e no Equilíbrio de Poder, culminando na criação da Santa Aliança militar para frear o liberalismo.

Checklist do que saber para a prova:

  • Compreender a pirâmide social do Antigo Regime (Os Três Estados).
  • O significado do conceito de "Cidadania" instaurado pela Declaração de 1789.
  • A diferença política e social entre Jacobinos (esquerda radical) e Girondinos (direita moderada).
  • O papel do Código Napoleônico na consolidação dos valores burgueses.
  • A ligação entre o Bloqueio Continental e a Independência do Brasil (Fuga da Família Real).
  • Os objetivos restauradores do Congresso de Viena.

Referências

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