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Morfossintaxe: Preposições e Conjunções

Ilustração de peças de quebra-cabeça se encaixando, contendo palavras como 'mas', 'portanto', 'para' e 'com', simbolizando a conexão entre as ideias em um texto.
Fonte: Conteúdos Escolares

Imagine construir uma casa usando apenas tijolos (substantivos e verbos), mas sem nenhum cimento para uni-los. A casa fatalmente desmoronaria. Na Língua Portuguesa, as preposições e as conjunções são exatamente esse "cimento". Elas são responsáveis por ligar palavras e orações, estabelecendo relações de sentido (causa, oposição, tempo) e garantindo que o texto tenha fluidez. No ENEM, o domínio desses conectivos é avaliado tanto na interpretação de textos (para entender a intenção do autor) quanto na Competência 4 da Redação, que exige um repertório coesivo diversificado e preciso.

Sumário

  1. O que é Morfossintaxe e o Papel dos Conectivos
  2. Preposições: Tipos e Valores Semânticos
    1. Preposições Essenciais e Acidentais
    2. Combinações e Contrações
    3. Valores Semânticos das Preposições
  3. Conjunções: O Tecido das Orações
    1. Conjunções Coordenativas
    2. Conjunções Subordinativas
  4. A Morfossintaxe na Prática: Análise de Textos Científicos
  5. Mnemônicos e Dicas
  6. Como Cai no ENEM
  7. Principais Dúvidas
  8. Resumo Completo
  9. Referências

O que é Morfossintaxe e o Papel dos Conectivos

A morfossintaxe é o estudo integrado de duas áreas da gramática: a Morfologia (que analisa a forma e a classe das palavras de maneira isolada) e a Sintaxe (que estuda a função que essas palavras exercem dentro de uma frase ou oração).

Dentro desse universo, as preposições e as conjunções pertencem à categoria das palavras invariáveis — ou seja, elas não sofrem flexão de gênero (masculino/feminino) ou número (singular/plural). A função primária e absoluta de ambas é a conexão.

  • Preposições: Ligam palavras entre si. O termo que vem depois da preposição subordina-se ao termo que vem antes.
    • Exemplo: Reportagem de divulgação. (A palavra "divulgação" especifica o tipo de "reportagem").
  • Conjunções: Ligam orações (frases com verbos) ou termos de mesma função sintática.
    • Exemplo: O fungo penetra na formiga e altera seu comportamento. (A conjunção "e" soma duas ações/orações).

Preposições: Tipos e Valores Semânticos

As preposições são mecanismos fundamentais de coesão. Uma simples troca de preposição pode alterar completamente o sentido de uma frase.

Preposições Essenciais e Acidentais

Podemos dividir as preposições em dois grandes grupos:

  1. Preposições Essenciais: São aquelas palavras que nasceram para ser preposições; elas só funcionam com esse propósito na língua portuguesa.

    • São elas: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás.
  2. Preposições Acidentais: São palavras de outras classes gramaticais (como advérbios, adjetivos ou particípios) que, dependendo do contexto, "acidentalmente" exercem a função de preposição.

    • Exemplos: consoante, segundo, mediante, como, durante, exceto, fora, menos, salvo, visto, via.
    • Aplicação: "A clonagem foi realizada via transferência nuclear." (Aqui, "via" atua como preposição indicando o meio pelo qual a ação ocorreu).
Tabela listando as principais preposições essenciais da língua portuguesa, como 'a', 'ante', 'após', etc.
Fonte: Educação na Mão
*[Imagem: Tabela listando as principais preposições essenciais da língua portuguesa]*

Combinações e Contrações

É muito comum que as preposições essenciais (especialmente a, de, em, por) se unam a outras palavras, como artigos e pronomes. Essa união ocorre de duas formas:

  • Combinação: Quando a preposição se junta a outra palavra sem perda fonética (nenhuma letra ou som desaparece).

    • Preposição a + Artigo o = ao (Ex: O fluxo de vapor desce ao sul).
    • Preposição a + Artigo os = aos
  • Contração: Quando a preposição se junta a outra palavra com alteração fonética (perda de letras/sons).

    • Preposição de + Artigo a = da (Ex: A bacia da Amazônia).
    • Preposição em + Pronome esse = nesse
    • Preposição por + Artigo o = pelo (Historicamente, a preposição era "per", que se contraiu com "o", formando "pelo").
    • Crase: É a contração da preposição a com o artigo feminino a (ou pronomes demonstrativos iniciados por a). Representa-se com o acento grave: à. (Ex: Devido à barreira geográfica...).

Valores Semânticos das Preposições

O aspecto mais cobrado nos vestibulares não é decorar a lista de preposições, mas entender o valor semântico (o sentido) que elas estabelecem entre as palavras. Veja os principais casos:

Valor SemânticoExemplo prático
CompanhiaO cientista viajou com a equipe de pesquisa.
InstrumentoA formiga fixa-se ao galho com as mandíbulas.
CausaA floresta sofre com o desmatamento. / Morreu de inanição.
AssuntoO podcast discutiu sobre a clonagem da ovelha Dolly.
LugarOs rios voadores nascem em regiões de alta evapotranspiração.
PosseOs metabólitos do fungo afetam o sistema nervoso.
MatériaO exoesqueleto é feito de quitina.
FinalidadeOs esporos são liberados para reiniciar o ciclo.
TempoA clonagem foi um marco desde 1996.

Conjunções: O Tecido das Orações

As conjunções são os conectivos que estruturam o raciocínio lógico de um texto. Elas organizam as orações dizendo ao leitor se a próxima ideia é um acréscimo, uma oposição, uma causa ou uma conclusão.

Dividem-se em duas grandes famílias: Coordenativas e Subordinativas.

Mapa mental dividindo as conjunções em coordenativas e subordinativas com exemplos de cada tipo
Fonte: Pinterest
*[Imagem: Mapa mental dividindo as conjunções em coordenativas e subordinativas com exemplos]*

Conjunções Coordenativas

Ligam orações que são sintaticamente independentes. Ou seja, se você separar as duas orações por um ponto final, ambas continuarão fazendo sentido sozinhas.

Exemplo: "O podcast é expositivo, mas foca no áudio." (Oração 1: O podcast é expositivo. / Oração 2: O podcast foca no áudio. Ambas são independentes).

Existem 5 tipos de conjunções coordenativas:

  1. Aditivas (Soma, acréscimo):

    • Principais: e, nem (e não), não só... mas também, bem como.
    • Exemplo: O vlog utiliza imagem, som e recursos de animação.
  2. Adversativas (Oposição, contraste, quebra de expectativa):

    • Principais: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto.
    • Exemplo: A linguagem científica é técnica, porém o texto de divulgação a torna acessível.
  3. Alternativas (Escolha, exclusão, alternância):

    • Principais: ou, ou... ou, ora... ora, quer... quer, seja... seja.
    • Exemplo: Seja em blogs, seja em podcasts, a ciência deve ser divulgada.
  4. Conclusivas (Dedução, conclusão):

    • Principais: logo, portanto, por isso, por conseguinte, assim, pois (colocado depois do verbo).
    • Exemplo: A Cordilheira dos Andes é uma barreira física; o fluxo de vapor é, portanto, desviado para o sul.
  5. Explicativas (Justificativa, explicação):

    • Principais: que, porque, porquanto, pois (colocado antes do verbo).
    • Exemplo: Deve-se priorizar a objetividade, pois isso confere credibilidade à reportagem.

Conjunções Subordinativas

Diferente das coordenativas, as subordinativas ligam orações dependentes. Uma oração (a subordinada) exerce uma função sintática em relação à outra (a principal). Sem a principal, a subordinada fica incompleta e sem sentido.

Elas se dividem em Integrantes e Adverbiais.

1. Conjunções Integrantes

Introduzem orações que funcionam como substantivos (sujeito, objeto direto, etc.).

  • Principais: que, se.
  • Exemplo: O estudo provou que (conjunção integrante) os Rios Voadores regulam o clima. (Dica: você pode trocar a oração inteira pela palavra "ISSO": O estudo provou ISSO).

2. Conjunções Adverbiais

Introduzem orações que funcionam como um advérbio, indicando as circunstâncias em que a ação da oração principal ocorre. São 9 tipos:

TipoO que indica?Principais ConjunçõesExemplo de Uso
CausaisO motivo, a razãoporque, como (no início da frase), visto que, já que, uma vez queComo o fungo afeta o sistema nervoso, a formiga fica desorientada.
ConcessivasUma ideia contrária que não impede a ação principalembora, conquanto, ainda que, mesmo que, se bem queEmbora não possua estrutura fixa, a reportagem tem elementos comuns.
CondicionaisCondição necessáriase, caso, contanto que, salvo se, a não ser queCaso a evapotranspiração diminua, o transporte de umidade será afetado.
ConformativasAcordo, conformidadeconforme, segundo, consoante, comoA clonagem da ovelha Dolly ocorreu conforme os protocolos da época.
ComparativasComparação de elementoscomo, tal qual, assim como, mais... que, menos... queO parasita age no hospedeiro assim como um controle remoto.
ConsecutivasConsequênciade modo que, de sorte que, de forma que, que (após tão/tal/tanto)O fungo esgota os nutrientes de tal forma que a formiga morre.
FinaisObjetivo, finalidadepara que, a fim de que, porque (no sentido de para que)Metáforas são usadas a fim de que o público leigo compreenda.
ProporcionaisSimultaneidade gradativaà proporção que, à medida que, quanto mais... maisÀ medida que o texto avança, a explicação do fenômeno fica mais clara.
TemporaisTempo, momentoquando, enquanto, logo que, assim que, desde que, antes queA chuva secundária ocorre enquanto a umidade é transportada.

A Morfossintaxe na Prática: Análise de Textos Científicos

Para entender como isso cai na vida real (e no ENEM), vamos analisar excertos adaptados de reportagens de Divulgação Científica e aplicar a lente da morfossintaxe. Observe os conectivos em destaque.

Texto 1: O Fenômeno das Formigas-Zumbi

"A formiga infectada fixa-se a galhos com as mandíbulas até morrer. Após a morte, o fungo projeta uma estrutura externa para liberar esporos, que reiniciam o ciclo no solo."

  • a (galhos): Preposição essencial. Estabelece relação de lugar/direção (onde ela se fixa).
  • com (as mandíbulas): Preposição essencial. Estabelece relação de instrumento (o que ela usou para se fixar).
  • até (morrer): Preposição essencial. Relação de limite de tempo.
  • para (liberar): Preposição essencial. Relação de finalidade (o propósito da estrutura).
  • no (solo): Contração (em + o). Preposição indicando lugar.

Texto 2: Rios Voadores e Climatologia

"Os ventos levam a umidade em direção ao oeste. Como a Cordilheira dos Andes atua como barreira física, ela força a precipitação e desvia o restante do fluxo para o sul."

  • em direção ao: Locução prepositiva (terminada em preposição) que indica direção.
  • Como (a Cordilheira atua): Conjunção subordinativa causal. Está no início da frase, indicando o motivo de a precipitação ser forçada. Pode ser substituída por Visto que ou Já que.
  • como (barreira física): Aqui, a palavra "como" atua como preposição acidental indicando a função/papel exercido. (Na qualidade de barreira).
  • e (desvia): Conjunção coordenativa aditiva. Soma as duas ações causadas pela barreira (força a chuva + desvia o fluxo).

Texto 3: A Ética da Clonagem

"A clonagem permite produzir cópias geneticamente idênticas. O projeto de lei discutido, entretanto, proíbe a prática em humanos, embora permita em animais domésticos."

  • entretanto: Conjunção coordenativa adversativa. Quebra a expectativa gerada pela frase anterior (traz um limite/restrição).
  • embora: Conjunção subordinativa concessiva. Mostra que, apesar da proibição principal, existe uma exceção concedida.

Mnemônicos e Dicas

Mnemônicos são técnicas de memorização que ajudam a resgatar informações complexas rapidamente durante a prova. Use estes truques salvadores:

1. As Preposições Essenciais (Ritmo musical)

Tente ler a lista de preposições no ritmo da música "Escravos de Jó" ou "Ciranda Cirandinha". A cadência ajuda o cérebro:

"A, ante, após, até, / Com, contra, de, desde, em, / Entre, para, per, perante, por, / Sem, sob, sobre, trás!"

2. Conjunções Adversativas: "As 6 Grandes"

Para não confundir as conjunções que indicam oposição, memorize as letras iniciais ou a sequência rítmica:

Mas, Porém, Contudo, Todavia, Entretanto, No entanto. (M-P-C-T-E-N)

3. A Multi-função do "COMO"

A palavra COMO pode ser quase qualquer coisa dependendo do texto. Faça a prova de substituição:

  • Troque por "Porque / Já que" \rightarrow É Causal (Como choveu, não saí).
  • Troque por "Conforme" \rightarrow É Conformativa (Fiz o bolo como manda a receita).
  • Troque por "Feito / Tal qual" \rightarrow É Comparativa (Ele é forte como um urso).
  • Troque por "E" (após 'não só') \rightarrow É Aditiva (Não só cantou, como dançou).

Como Cai no ENEM

No ENEM, você não encontrará questões pedindo para "Classificar a conjunção destacada na linha 4 em Coordenativa Alternativa". O foco do exame é puramente semântico e prático.

1. Coesão Textual e Operadores Argumentativos

As conjunções são cobradas sob o nome de "Operadores Argumentativos" (elementos de coesão). A prova de Linguagens costuma destacar um conectivo no texto e perguntar:

  • Qual é a relação de sentido (causa, consequência, concessão, oposição) que ele estabelece?
  • Qual outro conectivo poderia substituí-lo sem alterar o sentido original do texto? (Ex: trocar "embora" por "conquanto", ou "contudo" por "todavia").

2. Pegadinhas Clássicas de Interpretação

  • Causa vs. Consequência: Saber identificar qual oração é o gatilho (causa) e qual é o resultado (consequência). Ex: "A formiga morre porque o fungo destrói seu organismo". (A causa vem depois do conectivo explicativo/causal).
  • Concessão vs. Oposição: O ENEM adora conjunções concessivas (embora, ainda que). A concessão é uma oposição branda: um obstáculo que existe, mas que não impede a ação de acontecer. Já a oposição (adversativa) geralmente bloqueia ou altera o rumo da ideia anterior.

3. Competência 4 da Redação do ENEM

Esta é a aplicação mais vital deste assunto. A Competência 4 avalia especificamente o domínio dos mecanismos de coesão linguística. Para tirar 200 pontos (nota máxima) nesta competência, você precisa:

  • Usar operadores argumentativos variados (não repetir "além disso" ou "portanto" em todos os parágrafos).
  • Usar conectivos entre os parágrafos (coesão interparagrafal) e dentro dos parágrafos (coesão intraparagrafal).
  • Evitar o uso inadequado (ex: usar "Portanto" quando a intenção era adicionar uma ideia, o que gera quebra de coerência).

Principais Dúvidas


Resumo Completo

As preposições e conjunções são a base da morfossintaxe conectiva. Sem elas, frases se tornam apenas amontoados de palavras. Enquanto preposições conectam palavras subordinando-as e criando valores semânticos (posse, causa, lugar), as conjunções operam em nível macro, conectando orações para construir o raciocínio lógico (argumentação).

  • Preposições Essenciais: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, per, perante, por, sem, sob, sobre, trás.
  • Preposições vs. Locuções: Uma palavra = preposição. Duas ou mais (terminadas em preposição) = locução prepositiva.
  • Conjunções Coordenativas: Ligam orações independentes.
    • Aditivas (e, nem)
    • Adversativas (mas, porém, contudo)
    • Alternativas (ou, ora)
    • Conclusivas (logo, portanto)
    • Explicativas (porque, pois)
  • Conjunções Subordinativas: Ligam orações dependentes (Adverbiais e Integrantes).
    • Dividem-se em 9 tipos adverbiais, com foco forte em Causa (como, já que), Concessão (embora, ainda que) e Condição (se, caso).

Checklist final do que saber para a prova:

  • Sei a diferença entre preposição (liga palavras) e conjunção (liga orações).
  • Consigo identificar a diferença de sentido entre o pois antes do verbo (explicação) e depois do verbo (conclusão).
  • Entendo o que são operadores argumentativos.
  • Consigo substituir conjunções adversativas (mas, porém, contudo, todavia) em um texto sem alterar o sentido.
  • Sei o que é uma oração concessiva (ideia introduzida por embora ou ainda que).

Referências

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