Questão 20 do ENEM 2016 — Ciências Humanas
Resolução comentada
A questão aborda a obra de Hélio Oiticica, um dos artistas plásticos mais importantes do Brasil, e seu famoso "Parangolé". Para resolver, precisamos entender o que é essa obra, o contexto em que foi criada e como ela se choca com a ideia tradicional de arte e patrimônio.
O que é o Parangolé?
Criados a partir de , os Parangolés são uma espécie de capa, estandarte ou tenda feita com materiais simples e rústicos, como tecidos, plásticos, cordas e palha. A grande sacada de Oiticica foi que o Parangolé não é uma obra para ser pendurada na parede de um museu e observada passivamente. Ele só ganha vida, forma e sentido quando é vestido e movimentado por uma pessoa. O espectador deixa de ser passivo e passa a ser um participante ativo da obra.
Na imagem, vê-se justamente isso: uma pessoa envolta por capas de pano cru vestindo a obra em pleno ambiente urbano, e não em um salão expositivo. O tecido exibe uma inscrição pintada à mão que remete à ideia de "incorporar a revolta", reforçando o teor de protesto da peça.
A inspiração e o contexto
Oiticica criou os Parangolés após se envolver profundamente com a comunidade do Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro, onde vivenciou a cultura do samba e do Carnaval. Portanto, a obra bebe diretamente da cultura popular e marginalizada.
Além disso, estamos falando das décadas de e , período marcado pela Ditadura Militar no Brasil. O caráter de protesto e de resistência política e social fica evidente na própria proposta da obra, que dá corpo à revolta.
A oposição ao conceito de patrimônio
Nas décadas de e , a concepção de patrimônio histórico e artístico era muito tradicional. Patrimônio era aquilo que era monumental, feito de materiais nobres (pedra, bronze, óleo sobre tela), estático, elitista e destinado a durar para sempre dentro de museus e galerias.
O Parangolé se opõe frontalmente a isso porque:
- É efêmero: só existe no momento da dança, do movimento. Não é uma peça congelada no tempo.
- É popular: usa materiais baratos e se inspira no samba e no Carnaval, não na "alta cultura" europeia.
- É protesto: não busca enfeitar salões, mas sim dar voz à revolta e à marginalidade.
Dessa forma, a alternativa que melhor sintetiza essa ruptura é a letra A: a obra se apropria da cultura popular para criar uma arte efêmera e destinada ao protesto.
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Fonte: prova oficial do ENEM 2016 (INEP). Resolução comentada pela equipe do Alvo ENEM.
